Quem acompanha minha carreira já me ouviu falar a respeito da militância na Luta Antimanicomial e inclusive alguns tiveram a oportunidade de assistir minha defesa no Trabalho de Conclusão do curso de Psicologia sobre os Paradigmas do Processo Sócio Histórico do Eu no Movimento Manicomial, nota dez por unanimidade de todos os examinadores. Este TCC tinha como objetivo entender como o sujeito que havia sido institucionalizado, retomou sua identidade após o fechamento dos manicômios e como resposta a esta pergunta concluímos que o Eu uma vez subtraído de minha identidade dificilmente recupera-se, e quando esta recuperação acontece, deixa seqüelas irreversíveis. Por este motivo luto pelo fim dos manicômios e hospícios.
Nesta quarta feira estarei em Brasília aonde irei me juntar a outros tantos militantes desta luta afim de reivindicarmos alguns direitos dos pacientes portadores de sofrimento psíquico os quais estão sendo negligenciados ou mesmo negados. Será um grande evento, uma grande manifestação que quero compartilhar com todos leitores e seguidores deste espaço.
Para entender melhor toda a movimentação e articulação que está sendo preparada para o dia da Marcha, conheça melhor as propostas a seguir:
Defender o Sistema Único de Saúde (SUS) ressaltando o papel fundamental que o Sistema tem na Reforma Psiquiátrica Antimanicomial, que é oferecer estrutura adequada e melhores condições de atendimento para tratamento de portadores de sofrimento mental
Defender o cumprimento da Lei da Reforma Psiquiátrica (10.216/01)
Reivindicar a realização da IV Conferência Nacional de Saúde Mental (9 anos após a III, realizada em 2001), que tem a importância de discutir passos fundamentais para o avanço da Reforma Psiquiátrica Antimanicomial, além de estabelecer novos marcos para profissionais da área e portadores de transtornos mentais, que estão cada dia mais atuantes socialmente.
Exigir a efetiva implantação do "Programa de Volta para Casa", criado pelo Ministério da Saúde em 2003 com o objetivo de reintegrar socialmente pessoas com transtornos mentais que passaram por longas internações. O programa dispõe também de um auxílio financeiro para o beneficiário ou seu representante legal.
Entenda mais a Lei 10.216
Sancionada em Abril de 2001, a Lei garante direitos e proteção de pessoas com transtorno mental:
Acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, incluindo tratamento em serviços comunitários de saúde mental;
Ser tratado com humanidade e respeito, visando sua recuperação pela inserção na família, no trabalho e na comunidade;
Ser protegido contra qualquer forma de abuso e exploração;
Receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de seu tratamento, com garantia de sigilo nas informações prestadas;
Ter livre acesso aos meios de comunicação disponíveis;
Ser tratado em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis;
Sobre o tratamento de internação que segundo a Lei só pode ser indicado quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes:
Todo tratamento, permanentemente, visará a reinserção social do paciente em seu meio;
Oferecer assistência integral ao portador de transtornos mentais, incluindo serviços médicos, de assistência social, psicológicos, ocupacionais, de lazer e outros;
É vedada a internação de portadores de transtornos mentais em instituições com características asilares e que não assegurem os direitos supracitados;
Aqui compartilho Vida, Histórias reais ou inventadas. Compartilho contos, que não são de fadas, embora acredite nelas. Aqui compartilho de tudo um conto a mais. Divirtam-se
domingo, 27 de setembro de 2009
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Marcha dos Usuários à Brasília
No dia 30/09/2009 acontecera a Marcha dos Usuários à Brasília que contara com a participação da Psicóloga Ana Paula representando a cidade de Cubatão. Para mais informações acesse: marchadosusuarios.blogspot.comTexto ministrado por Daniel
domingo, 6 de setembro de 2009
Distúrbio Fronteiriço da Personalidade ou borderline
O Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais, o guia das doenças psiquiátricas da Associação Americana de Psiquiatria, caracteriza a doença com uma lista de nove sintomas: sensação constante de vazio; acessos injustificáveis de raiva; alternância constante e extrema de humor; relações interpessoais intensas e instáveis; comportamento impulsivo; ideias frequentes de suicídio ou automutilação intencional; episódios de paranoia; autoimagem instável; e esforços desmedidos para evitar um abandono verdadeiro ou imaginado. Os fronteiriços apresentam deficiências no funcionamento de uma área do cérebro conhecida como lobo frontal. Localizada bem acima dos olhos, ela é responsável, entre outras funções, pela elaboração do pensamento e pelo planejamento das ações. Alterações nessa porção cerebral podem comprometer o juízo crítico e contribuir para o descontrole emocional. Mas, como nem todos os que exibem tais falhas no lobo frontal são fronteiriços, a conclusão é que as influências familiares e sociais são determinantes. No desespero para não se sentir desamparado, o fronteiriço costuma "grudar" em seus amigos, médicos, cônjuges ou parentes – sufocando-os e, consequentemente, afastando-os. Como o fronteiriço só consegue se definir a partir do outro, ele muda constantemente de área de estudo, religião e estilo de vida, ao sabor das influências dos amigos ou familiares. Devido ao fato de ser um transtorno de personalidade, ele pode ser confundido, no início, com um temperamento mais impulsivo. Por esse motivo, um paciente leva, em média, de cinco a dez anos para ser diagnosticado como fronteiriço. "Em geral, os doentes chegam ao consultório por causa de problemas decorrentes do transtorno – como abuso de álcool e drogas, depressão, automutilação ou bulimia", Os portadores do Distúrbio Fronteiriço da Personalidade ou borderline, vivem com uma constante sensação de vazio, estabelecem relações interpessoais intensas e instáveis, marcadas, sobretudo pela dependência em relação aos pais, amigos e médicos. Possuem um medo incontrolável de serem abandonados, são impulsivos em demasia e alternam constantemente de humor. São acometidos por acessos desmedidos de raiva e ódio, apresentam um comportamento autodestrutivo, marcado pela automutilação e pela idéia constante de suicídio, tem episódios de desconfiança que beiram a paranóia e por fim possuem uma autoimagem instável, vêem-se como pessoas ora totalmente ruins ora completamente boas. O tratamento dos portadores do Distúrbio Fronteiriço da Personalidade ou borderline consiste necessariamente em medicação, psicoterapia individual e familiar. Os medicamentos que estabilizam o humor, antidepressivos e os antipsicóticos usados concomitantemente amenizam a irritabilidade e o comportamento impulsivo, abrandam a depressão e a ansiedade e reduzem eventuais delírios persecutórios. Alem de atenuar os sintomas da doença, a medicação é essencial para diminuir os riscos de suicídio e automulilação. Na psicoterapia o paciente aprende a identificar e corrigir pensamentos e comportamentos que lhes são prejudiciais, com os recursos da psicanálise e da terapia psicodinâmica o fronteiriço torna-se capaz de de reconhecer e resolver seus conflitos tornando-se autônomo e controlador de suas emoções. Na terapia familiar, a família aprende que o sucesso do tratamento dependerá inclusive da participação de toda família e que transformações nas relações familiares são importantes e necessárias acontecer.
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