domingo, 30 de agosto de 2009

AS MENINAS AINDA BRINCAM!

Um de meus passatempos favoritos quando vou à praia é observar crianças brincando na areia, na minha opinião um momento de pura magia, fico horas ali parada só observando. A fantasia e todo processo de simbolização e construção desenvolvido pelas crianças enquanto brincam na areia da praia é algo fantástico de ser observado. A maioria dos pais levam uma infinidade de brinquedos para a praia, eu adoro, quanto mais melhor, e as crianças colocam toda sua imaginação para funcionar rumo à uma incrível e deliciosa brincadeira. Um brincar puro, que depende exclusivamente da fantasia e da inocência. Tem ainda aqueles que não levam quase nenhum brinquedo, (destes eu gosto ainda mais, ) e nem por isso as crianças deixam de brincar e lançam mão dos famosos castelos de areia, tão lindos e cheios de fantasia. Hoje fui à praia com meus filhos, tomar um solzinho que anda tão raro por aqui, e perto de nós estavam duas meninas já grandinhas, brincando de bonecas. Foi o suficiente para me tirar totalmente da realidade e me fazer entrar naquela brincadeira também. Ficaria novamente horas ali só observando-as, mas desta vez fiquei só um pouquinho, o suficiente para admirar aquelas duas garotas de uns doze, treze anos, brincando de bonecas. Uma cena linda, de duas (também lindas) meninas brincando com suas bonecas, mesinhas, panelinhas e copinhos, elas conversavam com as bonecas e manipulavam os brinquedos todos, numa total e saudável interação, coisa linda de se ver e admirar.Estamos vivendo um momento em que as crianças principalmente as meninas são forçadas a crescer tão rapidamente, oferece-se a elas a precoce oportunidade de se tornarem mini-mulheres, sexualizadas e desejantes desde muito cedo, uma pena. Mas o que vi ali na praia me trouxe a deliciosa esperança de que ainda há espaço para ser criança. Ainda podemos comprar bonecas e brinquedos para nossas meninas de doze anos. Pode até ser que algumas garotinhas gostem de maquiagem, batom, salto alto, mas aquelas duas meninas da praia hoje, nos mostram que ainda existem as que gostam de bonecas, panelinhas e brinquedinhos. Que tal promovermos mais estes tipos de estímulos? Vamos pensar nisso?

domingo, 23 de agosto de 2009

Humor

Qual a real dimensão do humor em nossa vida? Sem ele, seríamos como robôs, não experimentaríamos a riqueza dos sentimentos, das emoções, dos vínculos afetivos, dos sonhos, das decepções. O humor é como a variedade de cores de um quadro; é o gol, o drible e a vontade de ganhar em um jogo de futebol. Para sentir a falta que faz a dimensão do humor, imagine um quadro sem cores e nuances, um jogo de futebol em que jogadores correm sem destino. Certamente deixam de ser um quadro e um jogo pela carência de graça e sentido. O humor triste e depressivo seria um quadro com cores escuras e densas, ou um time retrancado e perdendo de goleada. Já o humor eufórico é um quadro com as cores mais vivas possíveis, é como se sentir num time de pelés garrinchas e ronaldinhos em grande inspiração. O que define se o humor está sadio é o quanto ele está adequado à situação real. Tristezas, alegrias, ansiedades, ou irritações sem motivo aparente podem configurar um transtorno de humor. Existem situações em que a euforia pode chegar a extremos tão inadequados e prejudiciais quanto à melancolia grave. Entre o humor eutímico (normal) e o extremo da euforia, há graduações, como a hipertimia, que não chega a atrapalhar, e a hipomania (pequena mania), que pode atrapalhar razoavelmente, até a mania, que certamente carrega consequencias e prejuízos maiores em diversos níveis. Entenda-se "mania" como o termo que define o estado de humor eufórico, ligado, acelerado, para cima ou irritável, e não a expressão de uso corriqueiro, como a mania de limpeza ou de checar portas. Dependendo dos modelos e valores morais, o caráter pode inibir a expressão em algumas áreas, como visual e as relações efetivas. Os outros perceberam estas alterações melhor que a própria pessoa, que considera o estado eufórico como normal e positivo, até aprender com o tempo a experiência a identificar estes excessos de humor. Como o humor serve para ajustarmos nosso comportamento de acordo com a situação, a exaltação espontânea do humor é desadaptativa e disfuncional. Como base do humor é temperamento, a estabilidade do humor é fortemente influenciada pela natureza mais ou menos estável dos diversos temperamentos, mas também pela maturidade que adquirimos na formação do nosso caráter. No entanto, quando o temperamento é muito forte ou o humor está elevado, o impulso corrompe o caráter. Se o caráter é bom, depois dos atos impulsivos costuma vir à culpa. Os dois temperamentos instáveis são a busca de novidades (pelo excesso) e a evitação de risco (pela inibição e pela falta). A persistência é um temperamento que favorece a estabilidade a partir de atitudes práticas e de um certo esfriamento da emoção, enquanto a dependência social estabiliza a partir do apego e do investimento em relações sociais e afetivas. Assim, na combinação, um peso maior dos temperamentos instáveis associado a uma carência dos estáveis favorece fortemente o surgimento das alterações maiores do humor. Extraído do livro Temperamento Forte e Bipolaridade de Diogo Lara

domingo, 16 de agosto de 2009

LOUCURA E EXCLUSÃO SOCIAL: QUAL É O LUGAR DA DEFICIÊNCIA MENTAL?

Discorrer sobre tal tema é um assunto muito delicado. Falar e pontuar sobre esta questão não é algo a ser tratado em sua superfície, e sim, deve-se percorrer um minucioso caminho para então encontrar as motivações que constituem tal problemática.

Para uma reflexão de tal porte, necessariamente não é preciso falar sobre a pessoa com necessidades especiais, o seja, o dito popular deficiente mental. Mesmo por que os especiais são sujeitos sociais inseridos nos mais diversos espaços – família, escola, religião, comunidade e etc. E assim, tais espaços são pautas do tema deficiência mental.

Ao passo que existem, as pessoas com necessidades especiais são membros que constituem a polis, ou seja, a cidade, o ambiente urbano. Portanto, aqui cabe questionar se de fato existe exclusão, e ainda, onde existe a exclusão? Perante exposto, é fundamental uma reflexão sobre o que é exclusão social.

Tais apontamentos acima são oriundos dos discursos políticos que versam sobre inclusão social, visto que, inclui-se o que está excluído. Pois bem, podemos afirmar que se os políticos, bem como, as políticas públicas discorrem sobre a necessidade de inclusão é por que existem os supostos excluídos. Mas, se pensarmos no sentido da palavra exclusão – excluído - podemos chegar à conclusão de que esta tem o significado que remete a estar fora de algo. Então, para que uma pessoa seja excluída, ela necessariamente deve estar fora da polis. O que é humanamente impossível.

Sendo assim, podemos questionar a veracidade, bem como, a fidedignidade do significado da palavra utilizada pela sociedade atual, e também, dos discursos inseridos pelas políticas públicas sobre a inclusão social. Como incluir alguém socialmente, se esse sujeito não está fora da sociedade? Como dito, todos estamos inseridos socialmente. Todos pertencemos a um espaço urbano, e percorrermos, mesmo que de maneira limitada, lugares diversos.

Por que será então, que a sociedade discursa pela necessidade de inclusão social? Por que será então, que a sociedade – poderes públicos, ONGs e etc – desempenha atitudes e as classificam como inclusão social. Onde nasce essa necessidade? Nos deficientes, ou nos ditos normais? Onde será que mora deficiência? Será que está presente nos classificados pela sociedade como deficientes, ou no olhar daqueles que os observam?

É fundamental a reflexão sobre as construções coletivas, e que essas passam por um processo histórico. Dentre as mais diversas significações que a sociedade instituiu ao longo dos séculos, é peça chave perceber que a classificação sobre deficiência mental surge na angústia que o Homem moderno tem mediante a necessidade de lidar com a tão popular loucura. Classificar, apontar e discriminar a loucura pode ser também, uma maneira de espantar aquilo que está bem próximo, ou seja, algo que é bem íntimo e presente em cada um de nós.

Antes mesmo dos seres humanos habitarem no planeta terra, aqui já existiam os eventos naturais – sol, vento, terra, chuva, montanhas, florestas e etc. Mas esses, só passaram a existir na mente humana a partir do momento que o Homem os classificou como tal. Sendo assim, a deficiência mental, bem como, a loucura também são significações construídas pelos seres sociais, ou seja, são construções coletivas. E ainda, não existem no deficiente mental ou no louco, mas sim, estão presentes no olhar daqueles que os observam.

Sobre o autor: Rui Alexandre Sibilio - Psicólogo CRP 06 – 94026, Formado pela UNIP – Santos, pós-graduando em Psicoterapia Psicanalítica pelo Instituto de Psicologia da USP. Foi administrador da APAE Peruíbe, atualmente realiza atendimento clínico em Psicoterapia, atendimentos em grupos com práticas de Oficinas de Criatividade em Arte Terapia. Implanta projetos ligados a área de Gestão de Pessoas e Desenvolvimento Humano e ocupa o cargo de psicólogo na Fundação C.A.S.A. Peruíbe.


Contato: 9141 0225 e 9737 8504
grupopapillon.blogspot.com
psicologia.atendimento@gmail.com
atendimentos em Peruíbe e Santos - SP

domingo, 9 de agosto de 2009

Psicopatia – Quem são os Psicopatas?

A Psicopatia está evidenciada na mídia decorrente da personagem de Letícia Sabatela na novela Caminho das Índias, inclusive a atriz está magnífica no papel, e também porque frequentemente assistimos estarrecidos à assassinatos bárbaros cometido por indivíduos diagnosticados psicopatas. Mas quem são estes e o que seria um Psicopata?
Precisamos começar esclarecendo que nem todo Psicopata é um assassino, nem todo psicopata vai parar atrás das grades, o que torna a psicopatia ainda mais assustadora pois podemos perfeitamente convivermos com um psicopata nossa vida toda sem ao menos desconfiar disso. Segundo a classificação americana de transtornos mentais (DSM IV) a prevalência geral do transtorno de personalidade psicopata é de cerca de 3% de homens e 1% mulheres da população mundial destes uma parcela mínima corresponde aos psicopatas graves, ou seja, aqueles criminosos cruéis e violentos. Torna-se importante destacar também que ninguém vira psicopata: o indivíduo nasce psicopata e continua assim pelo resto da vida. “Podemos encontra-los disfarçados de religiosos, políticos, bons amigos, amantes. Os psicopatas visam apenas o benefício próprio, visam o poder e o status, engordam ilicitamente suas contas bancárias, são mentirosos, costumazes, eles vivem entre nós, parecem conosco fisicamente mas são desprovidos de um sentido especial: A Consciência ”. Silva, 2008
O Cid 10 ( Código Internacional de Doenças), classifica Psicopatia como Transtorno de Personalidade caracterizado por um desprezo das obrigações sociais e falta de empatia para com os outros. Há um desvio considerável entre o comportamento e as normas sociais estabelecidas. Uma baixa tolerância à frustração e um baixo limiar de descarga da agressividade, inclusive da violência.
Os psicopatas apresentam desde suas primeiras relações interpessoais (leia-se desde a infância), alterações comportamentais consideravelmente sérias tais como: comportamento cruel com animais de estimação e com outras crianças, mentiras recorrentes, roubos, furtos, dissimulação, vandalismo e atos de violência e crueldade sem esboçar nenhum tipo de remorso ou constrangimento.
O DSM IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), traz como características da Psicopatia um padrão invasivo de desrespeito e violação dos direitos dos outros, que inicia na infância ou começo da adolescência e continua na idade adulta, o engodo e a manipulação são aspectos centrais do Transtorno da Personalidade Psicopática.
As pessoas com este transtorno desrespeitam os desejos, direitos ou sentimentos alheios. Freqüentemente enganam ou manipulam os outros, a fim de obter vantagens pessoais ou prazer. Podem mentir repetidamente, usar nomes falsos, ludibriar ou fingir. Um padrão de impulsividade pode ser manifestado por um fracasso em planejar o futuro.
As decisões são tomadas ao sabor do momento, de maneira impensada e sem considerar as conseqüências para si mesmo ou para outros, o que pode levar a mudanças súbitas de empregos, de residência ou de relacionamentos. Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Psicopata tendem a ser irritáveis ou agressivos e podem repetidamente entrar em lutas corporais ou cometer atos de agressão física (inclusive espancamento do cônjuge ou dos filhos).
O comportamento laboral irresponsável pode ser indicado por períodos significativos de desemprego apesar de oportunidades disponíveis, ou pelo abandono de vários empregos sem um plano realista de conseguir outra colocação.
A irresponsabilidade financeira é indicada por atos tais como inadimplência e deixar regularmente de prover o sustento dos filhos ou de outros dependentes. Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Psicopática demonstram pouco remorso pelas conseqüências de seus atos. Eles podem mostrar-se indiferentes ou oferecer uma racionalização superficial para terem ferido, maltratado ou roubado alguém.
Esses indivíduos podem culpar suas vítimas por serem tolas, impotentes ou por terem o destino que merecem; podem minimizar as conseqüências danosas de suas ações, ou simplesmente demonstrar completa indiferença. Estes indivíduos em geral não procuram compensar ou emendar sua conduta.

domingo, 2 de agosto de 2009

Abuso nos Relacionamentos Íntimo: As conseqüências danosas e irreversíveis do abuso sexual , psicológico e físico.

As relações interpessoais patológicas são aquelas em que um dos indivíduos ou os dois nutrem pelo outro o sentimento de posse. O sentimento do outro e tudo o que ocorre com sua intimidade psíquica é invadido por seu cônjuge adoecido.

Nesta relação disfuncional tudo o que se quer é o pleno domínio, e quando não se consegue ocorre o sofrimento.

O abuso nos relacionamentos íntimos traz efeitos danosos marcantes na qualidade de vida na saúde física e emocional. Segundo Ballone In Psiqweb.med, caracteriza-se abuso físico” O uso de ameaça, força física ou restrição imposta a outro no sentido de coagir, obrigar, castigar, causar dor ou injúria .”

A vítima de abuso físico geralmente encontra-se em desvantagem em relação ao seu agressor, podemos considerar que o agressor usará de algum recurso para violentar e atacar sua vítima que sem chances de defesa muitas vezes sofre silenciosamente . Cabe dizer que o abuso físico não necessariamente é praticado apenas por homens, as mulheres também violentam seus cônjuges porem as características do abuso é que são diferentes. Segundo pesquisas realizadas no México, Canadá e EUA, Quando as vítimas são homens, normalmente a violência física não é praticada diretamente, tendo em vista a habitual maior força física dos homens. Havendo intenções agressivas por parte da mulher, esses atos podem ser cometidos por terceiros, como por exemplo, parentes da mulher ou profissionais contratados para isso. Outra modalidade são as agressões que tomam o homem de surpresa, como por exemplo, durante o sono. (psiqweb.med, 2007).

As características psicológicas das vítimas e dos agressores possuem traços próprios e que muitas vezes se convergem, geralmente uma vítima de violência não a está sofrendo pela primeira vez, a violencia contra seu eu já fora antes praticado por alguém que teoricamente deveria protegê-lo. Para uma vítima de agressão o ato em si torna-se naturalizado pois já foi experenciado na infância. Em psiqweb. Med lemos que “crianças traumatizadas, maltratadas, abusadas, abandonadas, ou seja, com prejuízo na formação do Vínculo Afetivo durante a infância apresentam, com freqüência, modelos inseguros de representação da realidade na idade adulta, com conseqüentes dificuldades no relacionamento íntimo. No futuro essas pessoas são, com mais freqüência, vítimas ou perpetradores de maus tratos nas relações interpessoais com as pessoas significativas. Além disso, através dessa Teoria do Vínculo, a pessoa vítima de maus tratos durante a infância constrói padrões inseguros de vinculação no relacionamento íntimo na idade adulta.”

O abuso sexual é qualquer conduta sexual com uma criança levada a cabo por um adulto ou por outra criança mais velha. Isto também pode significar, além da penetração vaginal ou anal na criança, tocar seus genitais ou fazer com que a criança toque os genitais do adulto ou de outra criança mais velha, ou o contacto oral-genital ou, ainda, roçar os genitais do adulto com a criança.

Às vezes ocorrem outros tipos de abuso sexual que chama menos atenção, como por exemplo, mostrar os genitais de um adulto a um criança, incitar a criança a ver revistas ou filmes pornográficos, ou utilizar a criança para elaborar material pornográfico ou obsceno.

Entre adultos, o abuso sexual é habitualmente definido como “uma interação sexual conseguida contra a vontade do outro, através do uso da ameaça, força física, persuasão, uso substâncias facilitadoras ou outro recurso a uma posição de autoridade”

Crianças vítimas de abuso sexual estão propensas a desenvolver algum tipo de psicopatologia ao longo de seu desenvolvimento, sendo que os danos causados pelo abuso em si são irreversíveis tornando-se marcas profundas e impossíveis de serem removidas .

Por fim temos o abuso psicológico que é um padrão de comunicação, verbal ou não, com a intenção de causar sofrimento psicológico em outra pessoa. Muitas vezes o abuso psicológico é a única forma de abuso entre o casal, talvez por se tratar de uma atitude menos detectada como politicamente incorreta. O abuso psicológico é, às vezes, tão ou mais prejudicial que o abuso físico, e se caracteriza por rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito e punições exageradas. Não é um abuso perpetrado predominantemente pelos homens, como é o caso do abuso físico. Ele existe em iguais proporções em homens e mulheres. Trata-se de uma agressão que não deixa marcas corporais visíveis, mas emocionalmente causa cicatrizes indeléveis para toda a vida. (psiqweb.med, 2007)

Um tipo comum de abuso psicológico é a que se dá sob a autoria dos comportamentos histéricos, cujo objetivo é mobilizar emocionalmente o outro para satisfazer a necessidade de atenção, carinho e adulação. A intenção do(a) agressor(a) histérico(a) é mobilizar o outro(a) tendo como chamariz alguma doença, alguma dor, algum problema de saúde, enfim, algum estado que exige atenção, cuidado, compreensão e tolerância.

Outra forma de abuso psicológico é fazer o outro se sentir inferior, dependente, culpado ou omisso é um dos tipos de agressão emocional dissimulada mais terríveis. A mais virulenta atitude com esse objetivo é quando o agressor faz tudo corretamente, impecavelmente certinho, não com o propósito de ensinar, mas para mostrar ao outro o tamanho de sua incompetência.

O abuso psicológico é, às vezes, tão ou mais prejudicial que o abuso físico, e se caracteriza por rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito e punições exageradas. Não é um abuso perpetrado predominantemente pelos homens, como é o caso do abuso físico. Ele existe em iguais proporções em homens e mulheres. Trata-se de uma agressão que não deixa marcas corporais visíveis, mas emocionalmente causa cicatrizes indeléveis para toda a vida.

Um tipo comum de abuso psicológico é a que se dá sob a autoria dos comportamentos histéricos, cujo objetivo é mobilizar emocionalmente o outro para satisfazer a necessidade de atenção, carinho e adulação. A intenção do(a) agressor(a) histérico(a) é mobilizar o outro(a) tendo como chamariz alguma doença, alguma dor, algum problema de saúde, enfim, algum estado que exige atenção, cuidado, compreensão e tolerância.

Outra forma de abuso psicológico é fazer o outro se sentir inferior, dependente, culpado ou omisso é um dos tipos de agressão emocional dissimulada mais terríveis. A mais virulenta atitude com esse objetivo é quando o agressor faz tudo corretamente, impecavelmente certinho, não com o propósito de ensinar, mas para mostrar ao outro o tamanho de sua incompetência.

Agressões Psicológicas são aquelas que, independentemente do contacto físico, ferem moralmente. A Agressão Psicológica, como nas agressões em geral, depende do agente agressor e do agente agredido. Quando não há intencionalidade agressiva e o agente agredido se sente agredido, independentemente da vontade do agressor, a situação reflete uma sensibilidade exagerada de quem se sente agredido.

Havendo intencionalidade do agressor, o mal estar emocional produzido por sua atitude independe da eventual sensibilidade aumentada do agente agredido e outras pessoas submetidas aos mesmos estímulos, se sentiriam agredidas também.

A Agressão Psicológica é especialidade do meio familiar, e muito possivelmente, dos demais relacionamentos íntimos, chegando-se ao requinte de agredir intencionalmente com um falso aspecto de estar fazendo o bem ou de não saber que está agredindo. O simples silêncio pode ser uma agressão violentíssima. Isso ocorre quando algum comentário, uma posição ou opinião é avidamente esperado e a pessoa, por sua vez, se fecha num silêncio sepulcral, dando a impressão politicamente correta de que “não fiz nada, estava caladinho em meu canto...”. Dependendo das circunstâncias e do tom como as coisas são ditas, até um simples “acho que você precisa voltar ao seu psiquiatra” é ofensivo ao extremo, assim como um conselho falsamente fraterno, do tipo “não fique nervoso e não se descontrole”.

Não é o freqüente, no relacionamento íntimo, a agressão sem intencionalidade de agredir, ou seja, a agressão que é sentida pelo agente agredido, independentemente da vontade do agressor. Normalmente, pelo fato da família ser um grupo onde seus membros têm pleno conhecimento da sensibilidade dos demais, mesmo que a situação de agressão refletisse uma sensibilidade exagerada de quem se sente agredido, o agressor não-intencional deveria ter plena noção das conseqüências de seus atos. Portanto, argumentar que “não sabia que você era tão sensível” é uma justificativa hipócrita.

As atitudes agressivas refletem a necessidade de uma pessoa produzir alguma reação negativa em outra, despertar alguma emoção desagradável. As razões dessa necessidade são variadíssimas e dependem muito da dinâmica própria de cada família. Podem refletir sentimentos de mágoa e frustrações antigas ou atuais, podem refletir a necessidade de solidariedade emocional não correspondida (estou mal logo, todos devem ficar mal), podem representar a necessidade de sentir-se importante na proporção em que é capaz de mobilizar emoções no outro.

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