sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Rede de Saúde Mental e Atenção a Crise

Hoje, 19/11/2009, tive a feliz oportunidade de ver e ouvir Roberto Tikanory, um cara brilhante, inteligente, ousado, um dos grandes nomes quando o assunto é Luta Antimanicomial. Foi ele juntamente com Davi Capistrano, Thelma de Souza, Sandra Chioro, Fábio Olivieri, 2q e tantos outros corajosos, e visionários que deram o primeiro passo rumo ao fim dos manicômios em Santos.
Na fala de Tikanory, carinhosamente chamado de Tika, pudemos ouvir sobre a crise no Serviço de Saúde Mental , segundo ele se tirássemos a crise não haveria a problematização e consequentemente não se justificaria nosso trabalho.
Ele considera a crise a grande oportunidade de mudanças, primeiramente considerando compreender o que CRISE. Se pensarmos no âmbito individual,podemos considerar CRISE como falta de acesso à realidade, não existe quem possa dizer que tem o critério do real, ou do que é realidade. Nesta discussão surge a crise, o que é e aonde está a realidade?
O que fazer em meio a crise? Já que ninguém tem acesso à realidade, esta não faz parte dento nosso cotidiano, ou então não conseguiríamos viver em paz com nossos pares.
Apelamos para o real quando queremos impor a nossa vontade. È absolutamente possível estabelecermos um boa relação com a psicopatologia sem passarmos pelo limiar do real.
Conclusão: Faz-se necessário que os profissionais de Saúde Mental, saiam da posição de quererem impor a realidade a qualquer custo
Obrigada, Tika!, Você é o cara!!!!!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

domingo, 27 de setembro de 2009

Rumo à Brasília

Quem acompanha minha carreira já me ouviu falar a respeito da militância na Luta Antimanicomial e inclusive alguns tiveram a oportunidade de assistir minha defesa no Trabalho de Conclusão do curso de Psicologia sobre os Paradigmas do Processo Sócio Histórico do Eu no Movimento Manicomial, nota dez por unanimidade de todos os examinadores. Este TCC tinha como objetivo entender como o sujeito que havia sido institucionalizado, retomou sua identidade após o fechamento dos manicômios e como resposta a esta pergunta concluímos que o Eu uma vez subtraído de minha identidade dificilmente recupera-se, e quando esta recuperação acontece, deixa seqüelas irreversíveis. Por este motivo luto pelo fim dos manicômios e hospícios.
Nesta quarta feira estarei em Brasília aonde irei me juntar a outros tantos militantes desta luta afim de reivindicarmos alguns direitos dos pacientes portadores de sofrimento psíquico os quais estão sendo negligenciados ou mesmo negados. Será um grande evento, uma grande manifestação que quero compartilhar com todos leitores e seguidores deste espaço.
Para entender melhor toda a movimentação e articulação que está sendo preparada para o dia da Marcha, conheça melhor as propostas a seguir:
Defender o Sistema Único de Saúde (SUS) ressaltando o papel fundamental que o Sistema tem na Reforma Psiquiátrica Antimanicomial, que é oferecer estrutura adequada e melhores condições de atendimento para tratamento de portadores de sofrimento mental
Defender o cumprimento da Lei da Reforma Psiquiátrica (10.216/01)
Reivindicar a realização da IV Conferência Nacional de Saúde Mental (9 anos após a III, realizada em 2001), que tem a importância de discutir passos fundamentais para o avanço da Reforma Psiquiátrica Antimanicomial, além de estabelecer novos marcos para profissionais da área e portadores de transtornos mentais, que estão cada dia mais atuantes socialmente.
Exigir a efetiva implantação do "Programa de Volta para Casa", criado pelo Ministério da Saúde em 2003 com o objetivo de reintegrar socialmente pessoas com transtornos mentais que passaram por longas internações. O programa dispõe também de um auxílio financeiro para o beneficiário ou seu representante legal.
Entenda mais a Lei 10.216
Sancionada em Abril de 2001, a Lei garante direitos e proteção de pessoas com transtorno mental:
Acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, incluindo tratamento em serviços comunitários de saúde mental;
Ser tratado com humanidade e respeito, visando sua recuperação pela inserção na família, no trabalho e na comunidade;
Ser protegido contra qualquer forma de abuso e exploração;
Receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de seu tratamento, com garantia de sigilo nas informações prestadas;
Ter livre acesso aos meios de comunicação disponíveis;
Ser tratado em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis;

Sobre o tratamento de internação que segundo a Lei só pode ser indicado quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes:
Todo tratamento, permanentemente, visará a reinserção social do paciente em seu meio;
Oferecer assistência integral ao portador de transtornos mentais, incluindo serviços médicos, de assistência social, psicológicos, ocupacionais, de lazer e outros;
É vedada a internação de portadores de transtornos mentais em instituições com características asilares e que não assegurem os direitos supracitados;

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Marcha dos Usuários à Brasília

No dia 30/09/2009 acontecera a Marcha dos Usuários à Brasília que contara com a participação da Psicóloga Ana Paula representando a cidade de Cubatão. Para mais informações acesse: marchadosusuarios.blogspot.com
Texto ministrado por Daniel

domingo, 6 de setembro de 2009

Distúrbio Fronteiriço da Personalidade ou borderline

O Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais, o guia das doenças psiquiátricas da Associação Americana de Psiquiatria, caracteriza a doença com uma lista de nove sintomas: sensação constante de vazio; acessos injustificáveis de raiva; alternância constante e extrema de humor; relações interpessoais intensas e instáveis; comportamento impulsivo; ideias frequentes de suicídio ou automutilação intencional; episódios de paranoia; autoimagem instável; e esforços desmedidos para evitar um abandono verdadeiro ou imaginado. Os fronteiriços apresentam deficiências no funcionamento de uma área do cérebro conhecida como lobo frontal. Localizada bem acima dos olhos, ela é responsável, entre outras funções, pela elaboração do pensamento e pelo planejamento das ações. Alterações nessa porção cerebral podem comprometer o juízo crítico e contribuir para o descontrole emocional. Mas, como nem todos os que exibem tais falhas no lobo frontal são fronteiriços, a conclusão é que as influências familiares e sociais são determinantes. No desespero para não se sentir desamparado, o fronteiriço costuma "grudar" em seus amigos, médicos, cônjuges ou parentes – sufocando-os e, consequentemente, afastando-os. Como o fronteiriço só consegue se definir a partir do outro, ele muda constantemente de área de estudo, religião e estilo de vida, ao sabor das influências dos amigos ou familiares. Devido ao fato de ser um transtorno de personalidade, ele pode ser confundido, no início, com um temperamento mais impulsivo. Por esse motivo, um paciente leva, em média, de cinco a dez anos para ser diagnosticado como fronteiriço. "Em geral, os doentes chegam ao consultório por causa de problemas decorrentes do transtorno – como abuso de álcool e drogas, depressão, automutilação ou bulimia", Os portadores do Distúrbio Fronteiriço da Personalidade ou borderline, vivem com uma constante sensação de vazio, estabelecem relações interpessoais intensas e instáveis, marcadas, sobretudo pela dependência em relação aos pais, amigos e médicos. Possuem um medo incontrolável de serem abandonados, são impulsivos em demasia e alternam constantemente de humor. São acometidos por acessos desmedidos de raiva e ódio, apresentam um comportamento autodestrutivo, marcado pela automutilação e pela idéia constante de suicídio, tem episódios de desconfiança que beiram a paranóia e por fim possuem uma autoimagem instável, vêem-se como pessoas ora totalmente ruins ora completamente boas. O tratamento dos portadores do Distúrbio Fronteiriço da Personalidade ou borderline consiste necessariamente em medicação, psicoterapia individual e familiar. Os medicamentos que estabilizam o humor, antidepressivos e os antipsicóticos usados concomitantemente amenizam a irritabilidade e o comportamento impulsivo, abrandam a depressão e a ansiedade e reduzem eventuais delírios persecutórios. Alem de atenuar os sintomas da doença, a medicação é essencial para diminuir os riscos de suicídio e automulilação. Na psicoterapia o paciente aprende a identificar e corrigir pensamentos e comportamentos que lhes são prejudiciais, com os recursos da psicanálise e da terapia psicodinâmica o fronteiriço torna-se capaz de de reconhecer e resolver seus conflitos tornando-se autônomo e controlador de suas emoções. Na terapia familiar, a família aprende que o sucesso do tratamento dependerá inclusive da participação de toda família e que transformações nas relações familiares são importantes e necessárias acontecer.

domingo, 30 de agosto de 2009

AS MENINAS AINDA BRINCAM!

Um de meus passatempos favoritos quando vou à praia é observar crianças brincando na areia, na minha opinião um momento de pura magia, fico horas ali parada só observando. A fantasia e todo processo de simbolização e construção desenvolvido pelas crianças enquanto brincam na areia da praia é algo fantástico de ser observado. A maioria dos pais levam uma infinidade de brinquedos para a praia, eu adoro, quanto mais melhor, e as crianças colocam toda sua imaginação para funcionar rumo à uma incrível e deliciosa brincadeira. Um brincar puro, que depende exclusivamente da fantasia e da inocência. Tem ainda aqueles que não levam quase nenhum brinquedo, (destes eu gosto ainda mais, ) e nem por isso as crianças deixam de brincar e lançam mão dos famosos castelos de areia, tão lindos e cheios de fantasia. Hoje fui à praia com meus filhos, tomar um solzinho que anda tão raro por aqui, e perto de nós estavam duas meninas já grandinhas, brincando de bonecas. Foi o suficiente para me tirar totalmente da realidade e me fazer entrar naquela brincadeira também. Ficaria novamente horas ali só observando-as, mas desta vez fiquei só um pouquinho, o suficiente para admirar aquelas duas garotas de uns doze, treze anos, brincando de bonecas. Uma cena linda, de duas (também lindas) meninas brincando com suas bonecas, mesinhas, panelinhas e copinhos, elas conversavam com as bonecas e manipulavam os brinquedos todos, numa total e saudável interação, coisa linda de se ver e admirar.Estamos vivendo um momento em que as crianças principalmente as meninas são forçadas a crescer tão rapidamente, oferece-se a elas a precoce oportunidade de se tornarem mini-mulheres, sexualizadas e desejantes desde muito cedo, uma pena. Mas o que vi ali na praia me trouxe a deliciosa esperança de que ainda há espaço para ser criança. Ainda podemos comprar bonecas e brinquedos para nossas meninas de doze anos. Pode até ser que algumas garotinhas gostem de maquiagem, batom, salto alto, mas aquelas duas meninas da praia hoje, nos mostram que ainda existem as que gostam de bonecas, panelinhas e brinquedinhos. Que tal promovermos mais estes tipos de estímulos? Vamos pensar nisso?

domingo, 23 de agosto de 2009

Humor

Qual a real dimensão do humor em nossa vida? Sem ele, seríamos como robôs, não experimentaríamos a riqueza dos sentimentos, das emoções, dos vínculos afetivos, dos sonhos, das decepções. O humor é como a variedade de cores de um quadro; é o gol, o drible e a vontade de ganhar em um jogo de futebol. Para sentir a falta que faz a dimensão do humor, imagine um quadro sem cores e nuances, um jogo de futebol em que jogadores correm sem destino. Certamente deixam de ser um quadro e um jogo pela carência de graça e sentido. O humor triste e depressivo seria um quadro com cores escuras e densas, ou um time retrancado e perdendo de goleada. Já o humor eufórico é um quadro com as cores mais vivas possíveis, é como se sentir num time de pelés garrinchas e ronaldinhos em grande inspiração. O que define se o humor está sadio é o quanto ele está adequado à situação real. Tristezas, alegrias, ansiedades, ou irritações sem motivo aparente podem configurar um transtorno de humor. Existem situações em que a euforia pode chegar a extremos tão inadequados e prejudiciais quanto à melancolia grave. Entre o humor eutímico (normal) e o extremo da euforia, há graduações, como a hipertimia, que não chega a atrapalhar, e a hipomania (pequena mania), que pode atrapalhar razoavelmente, até a mania, que certamente carrega consequencias e prejuízos maiores em diversos níveis. Entenda-se "mania" como o termo que define o estado de humor eufórico, ligado, acelerado, para cima ou irritável, e não a expressão de uso corriqueiro, como a mania de limpeza ou de checar portas. Dependendo dos modelos e valores morais, o caráter pode inibir a expressão em algumas áreas, como visual e as relações efetivas. Os outros perceberam estas alterações melhor que a própria pessoa, que considera o estado eufórico como normal e positivo, até aprender com o tempo a experiência a identificar estes excessos de humor. Como o humor serve para ajustarmos nosso comportamento de acordo com a situação, a exaltação espontânea do humor é desadaptativa e disfuncional. Como base do humor é temperamento, a estabilidade do humor é fortemente influenciada pela natureza mais ou menos estável dos diversos temperamentos, mas também pela maturidade que adquirimos na formação do nosso caráter. No entanto, quando o temperamento é muito forte ou o humor está elevado, o impulso corrompe o caráter. Se o caráter é bom, depois dos atos impulsivos costuma vir à culpa. Os dois temperamentos instáveis são a busca de novidades (pelo excesso) e a evitação de risco (pela inibição e pela falta). A persistência é um temperamento que favorece a estabilidade a partir de atitudes práticas e de um certo esfriamento da emoção, enquanto a dependência social estabiliza a partir do apego e do investimento em relações sociais e afetivas. Assim, na combinação, um peso maior dos temperamentos instáveis associado a uma carência dos estáveis favorece fortemente o surgimento das alterações maiores do humor. Extraído do livro Temperamento Forte e Bipolaridade de Diogo Lara

domingo, 16 de agosto de 2009

LOUCURA E EXCLUSÃO SOCIAL: QUAL É O LUGAR DA DEFICIÊNCIA MENTAL?

Discorrer sobre tal tema é um assunto muito delicado. Falar e pontuar sobre esta questão não é algo a ser tratado em sua superfície, e sim, deve-se percorrer um minucioso caminho para então encontrar as motivações que constituem tal problemática.

Para uma reflexão de tal porte, necessariamente não é preciso falar sobre a pessoa com necessidades especiais, o seja, o dito popular deficiente mental. Mesmo por que os especiais são sujeitos sociais inseridos nos mais diversos espaços – família, escola, religião, comunidade e etc. E assim, tais espaços são pautas do tema deficiência mental.

Ao passo que existem, as pessoas com necessidades especiais são membros que constituem a polis, ou seja, a cidade, o ambiente urbano. Portanto, aqui cabe questionar se de fato existe exclusão, e ainda, onde existe a exclusão? Perante exposto, é fundamental uma reflexão sobre o que é exclusão social.

Tais apontamentos acima são oriundos dos discursos políticos que versam sobre inclusão social, visto que, inclui-se o que está excluído. Pois bem, podemos afirmar que se os políticos, bem como, as políticas públicas discorrem sobre a necessidade de inclusão é por que existem os supostos excluídos. Mas, se pensarmos no sentido da palavra exclusão – excluído - podemos chegar à conclusão de que esta tem o significado que remete a estar fora de algo. Então, para que uma pessoa seja excluída, ela necessariamente deve estar fora da polis. O que é humanamente impossível.

Sendo assim, podemos questionar a veracidade, bem como, a fidedignidade do significado da palavra utilizada pela sociedade atual, e também, dos discursos inseridos pelas políticas públicas sobre a inclusão social. Como incluir alguém socialmente, se esse sujeito não está fora da sociedade? Como dito, todos estamos inseridos socialmente. Todos pertencemos a um espaço urbano, e percorrermos, mesmo que de maneira limitada, lugares diversos.

Por que será então, que a sociedade discursa pela necessidade de inclusão social? Por que será então, que a sociedade – poderes públicos, ONGs e etc – desempenha atitudes e as classificam como inclusão social. Onde nasce essa necessidade? Nos deficientes, ou nos ditos normais? Onde será que mora deficiência? Será que está presente nos classificados pela sociedade como deficientes, ou no olhar daqueles que os observam?

É fundamental a reflexão sobre as construções coletivas, e que essas passam por um processo histórico. Dentre as mais diversas significações que a sociedade instituiu ao longo dos séculos, é peça chave perceber que a classificação sobre deficiência mental surge na angústia que o Homem moderno tem mediante a necessidade de lidar com a tão popular loucura. Classificar, apontar e discriminar a loucura pode ser também, uma maneira de espantar aquilo que está bem próximo, ou seja, algo que é bem íntimo e presente em cada um de nós.

Antes mesmo dos seres humanos habitarem no planeta terra, aqui já existiam os eventos naturais – sol, vento, terra, chuva, montanhas, florestas e etc. Mas esses, só passaram a existir na mente humana a partir do momento que o Homem os classificou como tal. Sendo assim, a deficiência mental, bem como, a loucura também são significações construídas pelos seres sociais, ou seja, são construções coletivas. E ainda, não existem no deficiente mental ou no louco, mas sim, estão presentes no olhar daqueles que os observam.

Sobre o autor: Rui Alexandre Sibilio - Psicólogo CRP 06 – 94026, Formado pela UNIP – Santos, pós-graduando em Psicoterapia Psicanalítica pelo Instituto de Psicologia da USP. Foi administrador da APAE Peruíbe, atualmente realiza atendimento clínico em Psicoterapia, atendimentos em grupos com práticas de Oficinas de Criatividade em Arte Terapia. Implanta projetos ligados a área de Gestão de Pessoas e Desenvolvimento Humano e ocupa o cargo de psicólogo na Fundação C.A.S.A. Peruíbe.


Contato: 9141 0225 e 9737 8504
grupopapillon.blogspot.com
psicologia.atendimento@gmail.com
atendimentos em Peruíbe e Santos - SP

domingo, 9 de agosto de 2009

Psicopatia – Quem são os Psicopatas?

A Psicopatia está evidenciada na mídia decorrente da personagem de Letícia Sabatela na novela Caminho das Índias, inclusive a atriz está magnífica no papel, e também porque frequentemente assistimos estarrecidos à assassinatos bárbaros cometido por indivíduos diagnosticados psicopatas. Mas quem são estes e o que seria um Psicopata?
Precisamos começar esclarecendo que nem todo Psicopata é um assassino, nem todo psicopata vai parar atrás das grades, o que torna a psicopatia ainda mais assustadora pois podemos perfeitamente convivermos com um psicopata nossa vida toda sem ao menos desconfiar disso. Segundo a classificação americana de transtornos mentais (DSM IV) a prevalência geral do transtorno de personalidade psicopata é de cerca de 3% de homens e 1% mulheres da população mundial destes uma parcela mínima corresponde aos psicopatas graves, ou seja, aqueles criminosos cruéis e violentos. Torna-se importante destacar também que ninguém vira psicopata: o indivíduo nasce psicopata e continua assim pelo resto da vida. “Podemos encontra-los disfarçados de religiosos, políticos, bons amigos, amantes. Os psicopatas visam apenas o benefício próprio, visam o poder e o status, engordam ilicitamente suas contas bancárias, são mentirosos, costumazes, eles vivem entre nós, parecem conosco fisicamente mas são desprovidos de um sentido especial: A Consciência ”. Silva, 2008
O Cid 10 ( Código Internacional de Doenças), classifica Psicopatia como Transtorno de Personalidade caracterizado por um desprezo das obrigações sociais e falta de empatia para com os outros. Há um desvio considerável entre o comportamento e as normas sociais estabelecidas. Uma baixa tolerância à frustração e um baixo limiar de descarga da agressividade, inclusive da violência.
Os psicopatas apresentam desde suas primeiras relações interpessoais (leia-se desde a infância), alterações comportamentais consideravelmente sérias tais como: comportamento cruel com animais de estimação e com outras crianças, mentiras recorrentes, roubos, furtos, dissimulação, vandalismo e atos de violência e crueldade sem esboçar nenhum tipo de remorso ou constrangimento.
O DSM IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), traz como características da Psicopatia um padrão invasivo de desrespeito e violação dos direitos dos outros, que inicia na infância ou começo da adolescência e continua na idade adulta, o engodo e a manipulação são aspectos centrais do Transtorno da Personalidade Psicopática.
As pessoas com este transtorno desrespeitam os desejos, direitos ou sentimentos alheios. Freqüentemente enganam ou manipulam os outros, a fim de obter vantagens pessoais ou prazer. Podem mentir repetidamente, usar nomes falsos, ludibriar ou fingir. Um padrão de impulsividade pode ser manifestado por um fracasso em planejar o futuro.
As decisões são tomadas ao sabor do momento, de maneira impensada e sem considerar as conseqüências para si mesmo ou para outros, o que pode levar a mudanças súbitas de empregos, de residência ou de relacionamentos. Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Psicopata tendem a ser irritáveis ou agressivos e podem repetidamente entrar em lutas corporais ou cometer atos de agressão física (inclusive espancamento do cônjuge ou dos filhos).
O comportamento laboral irresponsável pode ser indicado por períodos significativos de desemprego apesar de oportunidades disponíveis, ou pelo abandono de vários empregos sem um plano realista de conseguir outra colocação.
A irresponsabilidade financeira é indicada por atos tais como inadimplência e deixar regularmente de prover o sustento dos filhos ou de outros dependentes. Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Psicopática demonstram pouco remorso pelas conseqüências de seus atos. Eles podem mostrar-se indiferentes ou oferecer uma racionalização superficial para terem ferido, maltratado ou roubado alguém.
Esses indivíduos podem culpar suas vítimas por serem tolas, impotentes ou por terem o destino que merecem; podem minimizar as conseqüências danosas de suas ações, ou simplesmente demonstrar completa indiferença. Estes indivíduos em geral não procuram compensar ou emendar sua conduta.

domingo, 2 de agosto de 2009

Abuso nos Relacionamentos Íntimo: As conseqüências danosas e irreversíveis do abuso sexual , psicológico e físico.

As relações interpessoais patológicas são aquelas em que um dos indivíduos ou os dois nutrem pelo outro o sentimento de posse. O sentimento do outro e tudo o que ocorre com sua intimidade psíquica é invadido por seu cônjuge adoecido.

Nesta relação disfuncional tudo o que se quer é o pleno domínio, e quando não se consegue ocorre o sofrimento.

O abuso nos relacionamentos íntimos traz efeitos danosos marcantes na qualidade de vida na saúde física e emocional. Segundo Ballone In Psiqweb.med, caracteriza-se abuso físico” O uso de ameaça, força física ou restrição imposta a outro no sentido de coagir, obrigar, castigar, causar dor ou injúria .”

A vítima de abuso físico geralmente encontra-se em desvantagem em relação ao seu agressor, podemos considerar que o agressor usará de algum recurso para violentar e atacar sua vítima que sem chances de defesa muitas vezes sofre silenciosamente . Cabe dizer que o abuso físico não necessariamente é praticado apenas por homens, as mulheres também violentam seus cônjuges porem as características do abuso é que são diferentes. Segundo pesquisas realizadas no México, Canadá e EUA, Quando as vítimas são homens, normalmente a violência física não é praticada diretamente, tendo em vista a habitual maior força física dos homens. Havendo intenções agressivas por parte da mulher, esses atos podem ser cometidos por terceiros, como por exemplo, parentes da mulher ou profissionais contratados para isso. Outra modalidade são as agressões que tomam o homem de surpresa, como por exemplo, durante o sono. (psiqweb.med, 2007).

As características psicológicas das vítimas e dos agressores possuem traços próprios e que muitas vezes se convergem, geralmente uma vítima de violência não a está sofrendo pela primeira vez, a violencia contra seu eu já fora antes praticado por alguém que teoricamente deveria protegê-lo. Para uma vítima de agressão o ato em si torna-se naturalizado pois já foi experenciado na infância. Em psiqweb. Med lemos que “crianças traumatizadas, maltratadas, abusadas, abandonadas, ou seja, com prejuízo na formação do Vínculo Afetivo durante a infância apresentam, com freqüência, modelos inseguros de representação da realidade na idade adulta, com conseqüentes dificuldades no relacionamento íntimo. No futuro essas pessoas são, com mais freqüência, vítimas ou perpetradores de maus tratos nas relações interpessoais com as pessoas significativas. Além disso, através dessa Teoria do Vínculo, a pessoa vítima de maus tratos durante a infância constrói padrões inseguros de vinculação no relacionamento íntimo na idade adulta.”

O abuso sexual é qualquer conduta sexual com uma criança levada a cabo por um adulto ou por outra criança mais velha. Isto também pode significar, além da penetração vaginal ou anal na criança, tocar seus genitais ou fazer com que a criança toque os genitais do adulto ou de outra criança mais velha, ou o contacto oral-genital ou, ainda, roçar os genitais do adulto com a criança.

Às vezes ocorrem outros tipos de abuso sexual que chama menos atenção, como por exemplo, mostrar os genitais de um adulto a um criança, incitar a criança a ver revistas ou filmes pornográficos, ou utilizar a criança para elaborar material pornográfico ou obsceno.

Entre adultos, o abuso sexual é habitualmente definido como “uma interação sexual conseguida contra a vontade do outro, através do uso da ameaça, força física, persuasão, uso substâncias facilitadoras ou outro recurso a uma posição de autoridade”

Crianças vítimas de abuso sexual estão propensas a desenvolver algum tipo de psicopatologia ao longo de seu desenvolvimento, sendo que os danos causados pelo abuso em si são irreversíveis tornando-se marcas profundas e impossíveis de serem removidas .

Por fim temos o abuso psicológico que é um padrão de comunicação, verbal ou não, com a intenção de causar sofrimento psicológico em outra pessoa. Muitas vezes o abuso psicológico é a única forma de abuso entre o casal, talvez por se tratar de uma atitude menos detectada como politicamente incorreta. O abuso psicológico é, às vezes, tão ou mais prejudicial que o abuso físico, e se caracteriza por rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito e punições exageradas. Não é um abuso perpetrado predominantemente pelos homens, como é o caso do abuso físico. Ele existe em iguais proporções em homens e mulheres. Trata-se de uma agressão que não deixa marcas corporais visíveis, mas emocionalmente causa cicatrizes indeléveis para toda a vida. (psiqweb.med, 2007)

Um tipo comum de abuso psicológico é a que se dá sob a autoria dos comportamentos histéricos, cujo objetivo é mobilizar emocionalmente o outro para satisfazer a necessidade de atenção, carinho e adulação. A intenção do(a) agressor(a) histérico(a) é mobilizar o outro(a) tendo como chamariz alguma doença, alguma dor, algum problema de saúde, enfim, algum estado que exige atenção, cuidado, compreensão e tolerância.

Outra forma de abuso psicológico é fazer o outro se sentir inferior, dependente, culpado ou omisso é um dos tipos de agressão emocional dissimulada mais terríveis. A mais virulenta atitude com esse objetivo é quando o agressor faz tudo corretamente, impecavelmente certinho, não com o propósito de ensinar, mas para mostrar ao outro o tamanho de sua incompetência.

O abuso psicológico é, às vezes, tão ou mais prejudicial que o abuso físico, e se caracteriza por rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito e punições exageradas. Não é um abuso perpetrado predominantemente pelos homens, como é o caso do abuso físico. Ele existe em iguais proporções em homens e mulheres. Trata-se de uma agressão que não deixa marcas corporais visíveis, mas emocionalmente causa cicatrizes indeléveis para toda a vida.

Um tipo comum de abuso psicológico é a que se dá sob a autoria dos comportamentos histéricos, cujo objetivo é mobilizar emocionalmente o outro para satisfazer a necessidade de atenção, carinho e adulação. A intenção do(a) agressor(a) histérico(a) é mobilizar o outro(a) tendo como chamariz alguma doença, alguma dor, algum problema de saúde, enfim, algum estado que exige atenção, cuidado, compreensão e tolerância.

Outra forma de abuso psicológico é fazer o outro se sentir inferior, dependente, culpado ou omisso é um dos tipos de agressão emocional dissimulada mais terríveis. A mais virulenta atitude com esse objetivo é quando o agressor faz tudo corretamente, impecavelmente certinho, não com o propósito de ensinar, mas para mostrar ao outro o tamanho de sua incompetência.

Agressões Psicológicas são aquelas que, independentemente do contacto físico, ferem moralmente. A Agressão Psicológica, como nas agressões em geral, depende do agente agressor e do agente agredido. Quando não há intencionalidade agressiva e o agente agredido se sente agredido, independentemente da vontade do agressor, a situação reflete uma sensibilidade exagerada de quem se sente agredido.

Havendo intencionalidade do agressor, o mal estar emocional produzido por sua atitude independe da eventual sensibilidade aumentada do agente agredido e outras pessoas submetidas aos mesmos estímulos, se sentiriam agredidas também.

A Agressão Psicológica é especialidade do meio familiar, e muito possivelmente, dos demais relacionamentos íntimos, chegando-se ao requinte de agredir intencionalmente com um falso aspecto de estar fazendo o bem ou de não saber que está agredindo. O simples silêncio pode ser uma agressão violentíssima. Isso ocorre quando algum comentário, uma posição ou opinião é avidamente esperado e a pessoa, por sua vez, se fecha num silêncio sepulcral, dando a impressão politicamente correta de que “não fiz nada, estava caladinho em meu canto...”. Dependendo das circunstâncias e do tom como as coisas são ditas, até um simples “acho que você precisa voltar ao seu psiquiatra” é ofensivo ao extremo, assim como um conselho falsamente fraterno, do tipo “não fique nervoso e não se descontrole”.

Não é o freqüente, no relacionamento íntimo, a agressão sem intencionalidade de agredir, ou seja, a agressão que é sentida pelo agente agredido, independentemente da vontade do agressor. Normalmente, pelo fato da família ser um grupo onde seus membros têm pleno conhecimento da sensibilidade dos demais, mesmo que a situação de agressão refletisse uma sensibilidade exagerada de quem se sente agredido, o agressor não-intencional deveria ter plena noção das conseqüências de seus atos. Portanto, argumentar que “não sabia que você era tão sensível” é uma justificativa hipócrita.

As atitudes agressivas refletem a necessidade de uma pessoa produzir alguma reação negativa em outra, despertar alguma emoção desagradável. As razões dessa necessidade são variadíssimas e dependem muito da dinâmica própria de cada família. Podem refletir sentimentos de mágoa e frustrações antigas ou atuais, podem refletir a necessidade de solidariedade emocional não correspondida (estou mal logo, todos devem ficar mal), podem representar a necessidade de sentir-se importante na proporção em que é capaz de mobilizar emoções no outro.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Ministério da Saúde - Saúde Mental

Este link direciona você às legislações atualizadas em respeito a Saúde Mental
http://portal.saude.gov.br/saude/area.cfm?id_area=925

terça-feira, 28 de julho de 2009

Palestra sobre Burnout

Minstrada em 27/07/09 na escola E.E.F. "Aprendiz do Futuro"


Parte 1



Parte 2



Parte Final

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Minha Participação no Encontro Estadual de Saúde Mental

Posicionamento do município, transmitido na conferência pelo secretário municipal de Saúde, é saudado pelos participantes, na capital paulista

A Secretaria de Estado da Saúde, com apoio do Ministério da Saúde e do Programa de Pós-Graduação da Escola de Enfermagem da USP, reuniu na sexta-feira (26/06) cerca de 2.200 profissionais ligados à área de Saúde Mental. Secretários de Saúde de vários municípios de São Paulo (incluindo Cubatão) e do Brasil participaram da conferência, realizada no prédio da Fecomércio - Teatro Raul Cortez - na Avenida Dr. Plínio Barreto, 285, bairro Bela Vista, na capital. Uma equipe de servidores cubatenses ligados à área de Saúde Mental esteve das 8 às 18 horas acompanhando os trabalhos.
Participaram do evento Pedro Gabriel, representando o Ministério da Saúde, e Maria do Carmo Cabral Carpintero, por parte do Conselho dos Secretários Municipais de Saúde (Consems). Coordenaram o evento Fernanda Nicasso, da USP, na parte da manhã, e Regina Bichaf, da Secretaria Estadual da Saúde, no período da tarde, que teve a abertura de Luiz Roberto Barradas Barata, Secretário de Estado da Saúde.
O encontro teve como conferencista o italiano Benedetto Saraceno, diretor do Departamento de Saúde Mental e Dependência de Substâncias da Organização Mundial da Saúde (OMS). O objetivo do evento era causar uma reflexão conjunta sobre as diretrizes da política de Saúde Mental, bem como o desenvolvimento das ações contra o abusivo e desumano uso de manicômios no Brasil, num contexto que permita “viver na cidade, habitar uma casa, respirar liberdade”.

Desafios para a desinstitucionalização - Na atualidade, a internação em hospícios precários, por longos períodos, de pessoas com transtornos mentais, é um dos principais desafios da Reforma Psiquiátrica em curso no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
Especialistas no assunto entendem que o resgate dos direitos dessas pessoas depende fundamentalmente do esforço a ser empreendido por gestores, pesquisadores, docentes, trabalhadores de Saúde Mental, associações de usuários e familiares, instâncias do controle social do SUS e parceiros de projetos intersetoriais de políticas públicas para a construção e o fortalecimento das redes de atenção psicossocial. Estes são capazes de produzir iniciativas solidárias e inclusivas no contexto de uma sociedade mais justa.
O italiano Benedetto Saraceno apresentou um painel em inglês e explanação em espanhol. Contou de sua trajetória pelo mundo afora e de sua experiência na área em questão. Para ele, problemas mentais são enfermidades crônicas, que demandam atenção especial. “São pacientes complexos, com tratamentos complexos. Por isso, requerem atenção de larga duração”.
Benedetto é crítico dos manicômios. Ele entende que este modelo de atendimento não resolve os problemas e nem traz melhorias à saúde e à vida dos pacientes. “Manicômio custa muito e oferece pouco, e o que oferece é de baixa qualidade”, disse o conferencista, citando ainda algumas barreiras que impedem a melhoria da Saúde Mental: “Necessitamos de mais pesquisas, mais remédios, mais prevenção, mais controle e melhor distribuição dos recursos. Precisamos usar a atenção primária de maneira mais inteligente”.

Comitiva cubatense - Os profissionais de Cubatão disseram ter gostado do que ouviram. Enfatizaram que o encontro realmente foi positivo, uma vez que ali todos estavam num mesmo objetivo: conhecer as perspectivas das possíveis melhorias e políticas voltadas aos pacientes de Saúde Mental. A psicóloga Ana Paula opinou que, como militante antimanicomial, viu no encontro um avanço na ideia que direciona para o fim dos manicômios.
Já a assistente social Maria de Fátima Luz Rodrigues, chefe do Serviço de Saúde Mental em Cubatão, comentou que a conferência de Benedetto Saraceno “favoreceu uma reflexão sobre o nosso modelo de Saúde Mental e quais as estratégias que precisamos adotar para realizarmos uma atenção mais efetiva em nosso município. Este encontro reforça nossas ideologias, nossas práticas, nossas vidas, nossos compromissos com a qualidade social”.
O secretário municipal de Saúde, Vandejacson Bezerra de Andrade, declarou em plenária que Cubatão possui hoje cerca de 12 pacientes que são moradores permanentes de manicômios. Estes cubatenses vivem há anos isolados da sociedade e de suas famílias, em condições extremamente desumanas. Para Vandejacson, tais condições ganham ares de precariedade ainda maior quando comparadas às de outras regiões e até mesmo com as dos presidiários.
Em vista deste cenário, ele manifestou a intenção de implantar uma residência terapêutica específica para este tipo de pacientes. “A Ideia é acolhê-los e iniciar sua reinclusão na sociedade, restituindo sua dignidade, humanidade e cidadania”. Na ocasião, o secretário manifestou ainda a posição da Prefeitura de Cubatão a favor da luta antimanicomial e das diretrizes mais recentes da ONU e OMS. Este posicionamento foi saudado pelos participantes do encontro, posicionando Cubatão na vanguarda técnica e científica no tratamento ao paciente psiquiátrico e ao usuário de álcool de drogas.
Fonte: http://www.cubatao.sp.gov.br/publico/index.php?option=com_content&view=article&id=1049:cubatao-participa-de-encontro-estadual-de-saude-mental&catid=10:noticias-da-cidade&Itemid=50
Psicóloga Ana Paula no Encontro de Saúde Mental em São Paulo
Teatro Raul Cortês no prédio da FECOMÉRCIO
Tema do Encontro: Incentivar a desisnstitucionalização
Desafios para a Reforma Psiquiátrica no Estado de São Paulo

Viver na cidade, habitar numa casa, respirar LIBERDADE!A Saúde Mental muito bem representada
Conferencista Dr Benedetto Saraceno, Diretor do Depto. de Saúde Mental e Dep. de Substâncias da Organização Mundial de Saúde
A Saúde Mental muito bem representada

Por um Mundo sem Manicômios

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O Movimento Antimanicomial no Brasil

O italiano Franco Basaglia, por volta dos anos sessenta, fez parte de um movimento que questionava o tratamento dado a pacientes psiquiátricos, com tortura, exclusão e deteriorando a individualidade destes. No Brasil, foi na década de 70 que fortaleceu os ideais do movimento antimanicomial.
O Movimento antimanicomial faz parte de um contexto social histórico – político - institucional. Um movimento que articula diferentes momentos de relações solidárias, conflitos e denúncias sociais, visando às transformações nas concepções pautadas na discriminação do conceito de louco e loucura no Brasil.
A promulgação da lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001, foi um ponto forte nas transformações da Saúde Mental, aprovada, após doze anos de tramitação. A Lei "dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental", determina - no parágrafo único do artigo 2º - que são direitos da pessoa com transtorno mental, entre outros, "ser tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis" e ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental.
Atualmente, a Saúde Mental transita num processo de reforma psiquiátrica, objetivando a reinserção social, deste modo, os movimentos sociais têm como foco o resgate da cidadania e a efetivação dos direitos humanos. A maior expressão disso são os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e Núcleos de Atenção Psicossocial (Naps). Mesmo com este quadro, a saúde mental brasileira ainda, responde ao modelo hospitalar dominante, muito semelhante ao da ideologia dos hospitais psiquiátricos, onde existem dificuldades nos acessos, equipes multidisciplinares exercendo suas especializações de maneira única, e uma idéia de loucura com preconceito e estigma.
Desafiar os códigos dominantes, romper com as invisibilidades e os silêncios, trazer à luz do dia as realidades ancoradas em relações de poder e dominação envernizadas por discursos competentes: eis os principais méritos e desafios dos movimentos sociais na contemporaneidade. Portadores de solidariedade e agentes de conflito, os movimentos sociais são considerados portadores privilegiados das denúncias às variadas formas de injustiça social. SILVA, A.P.R.R; PITERSKIH, A.R; BASILE, G.C; CARVALHO, L.B; SANTOS, R.M.A; BONFANTI,T.D. RAHIN, M.A. (orientador) Os paradigmas do processo socio-histórico do sujeito institucionalizado no movimento anti-manicomial do município de Santos/SP, 2008 Estudos Orientados, Curso de Psicologia, Instituto de Ciências Humanas, UNIP - Universdade Paulista. Santos – Rangel, 2008.

A Reforma Psiquiátrica e a Constituição de Práticas Substitutivas em Saúde mental

A Reforma Psiquiátrica e a Constituição de Práticas Substitutivas em Saúde mental
O processo de transformação das práticas no âmbito da saúde mental, assim como a efetivação dos pressupostos do Movimento de Luta Antimanicomial implicam mudanças em diversos âmbitos: do teórico ao cultural, passando pelo campo de construção de políticas e modelos de atenção. Busca-se não só constituir novas práticas no campo da assistência à saúde mental como também produzir transformações no que diz respeito ao lugar social dado à loucura, ao diferente, questionando uma cultura que estigmatiza e marginaliza determinados grupos sociais.
Tal proposta acaba por colocar em questão valores e representações sobre a loucura há muito arraigados em nossa sociedade e que estão na base de nossa constituição como sujeitos.
A sociedade tende a manter uma clivagem entre aquilo que é considerado normal e patológico, colocando à margem loucos, delinqüentes, prostitutas, desviantes em geral das condutas socialmente aceitas. O estigma recai sobre essas figuras portadoras da desrazão, da criminalidade e de uma sexualidade descontrolada. Desse modo, a sociedade acaba por se defender de sua própria loucura, sua própria delinqüência e sua própria prostituição, e desta maneira aliena, desconhece e trata como se fossem alheias e não lhe correspondesse.
Reincorporar a figura do "louco" ao convívio social implica suspender essa clivagem mobilizando as mais diversas fantasias e angústias, tendo em vista que a organização de nossa sociedade e cultura desempenha a função de um metaquadro tanto para as instituições quanto para os sujeitos que aí se inserem. Desse modo, a reaproximação dos campos da loucura mobiliza também aspectos de ordem psíquica, o medo frente ao diferente, àquilo que por longos anos ficou depositado e recluso no interior dos muros do hospital psiquiátrico.
Na realidade do "louco e da loucura", transformada, pelos saberes médicos, em doença, alienação, desajuste, irracionalidade e perversão, a loucura carrega um conjunto de práticas, concepções e saberes que, ancorados em uma moralidade ditada pelos bons costumes, pela ordem e pelo trabalho produtivo, faz desligar, de forma explicitamente violenta, os diferentes laços de construção e pertencimento humanos. Legitimado pelo saber, esse desligamento opera através de um discurso que "subtrai a totalidade subjetiva e histórico-social a uma leitura classificatória do limite dado pelo saber médico (...) uma leitura produtora da redução, exclusão e morte social." O manicômio é a tradução mais completa dessa exclusão, controle e violência. Seus muros escondem a violência (física e simbólica) através de uma roupagem protetora que desculpabiliza a sociedade e descontextualiza os processos sócio-históricos da produção e reprodução da loucura. A ruptura com o modelo manicomial significa, para o movimento, muito mais do que o fim do hospital psiquiátrico. Segundo o mesmo artigo, significa a "contraposição à negatividade patológica construída na observação favorecida pela segregação e articuladora de noções e conceitos como a incapacidade, a periculosidade, a invalidez e a inimputabilidade".
Se a contraposição ao modelo manicomial objetiva transformações da cultura, ela remete também a mudanças com relação às alianças inconscientes, aos contratos narcísicos e investimentos psíquicos que se dão nos grupos protagonistas desse processo. As transformações não se dão apenas na ordem do explícito do discurso e das práticas, mas também atingem o âmbito daquilo que subjaz inconsciente e encoberto nos grupos.
O texto afirma ainda que o abandono de antigos códigos norteadores das práticas envolve a transformação dos laços de significação vigentes. Ainda que os códigos anteriores sejam inadequados, eles asseguravam um modelo de condutas e representações comuns no que tange ao lugar do técnico, à relação profissional/paciente, à concepção da doença. A transformação desse modo de regulação provoca um momento de fragilidade que é vivida como uma ameaça contra o próprio sujeito e seu grupo de pertencimento. Vemos aí uma perda de estabilidade psicológica e social.
Tal análise dá subsídios à compreensão dos processos de crise vividos pelas instituições de tratamento que se desdobram por vezes em ações violentas de cisões da equipe e por outras numa apatia e impotência generalizadas. Pelo entendimento de que a instituição e o grupo servem de apoio psíquico aos sujeitos, podemos compreender, mediante um outro ponto de vista, os processos de resistência à mudança e os movimentos ideológicos tantas vezes encontrados em instituições de tratamento.
SILVA, A.P.R.R; PITERSKIH, A.R; BASILE, G.C; CARVALHO, L.B; SANTOS, R.M.A; BONFANTI,T.D. RAHIN, M.A. (orientador) Os paradigmas do processo socio-histórico do sujeito institucionalizado no movimento anti-manicomial do município de Santos/SP, 2008 Estudos Orientados, Curso de Psicologia, Instituto de Ciências Humanas, UNIP - Universdade Paulista. Santos – Rangel, 2008.

O Processo Histórico da Loucura

O Processo Histórico da Loucura

O Processo histórico da loucura implica em vários momentos da vida social da humanidade. Esse processo sempre esteve engajado naquilo que se considera padrão ou norma, fundamentado pela sociedade. Na idade média, o processo criado e difundido desde os parâmetros da doença lepra, atualmente conhecida como hanseníase. Esta patologia “desaparece” do mundo ocidental, permeada num contexto religioso, basicamente devido ao modo de tratamento. A lepra se retira do contexto social deixando nos lugares obscuros e nos ritos, que a destinam a suprimí-la, numa distância sacramentada numa exaltação inversa aos termos estruturados da igreja

Naquela época, tanto os portadores desta enfermidade (lepra) quanto os portadores das doenças sexualmente transmissíveis, são designados a tratamento de ordem moral de exclusão, as cidades européias designavam aos que contraíam estes tipos de doença a morte. A morte social despojando-o de sua identidade jurídica e, como era considerado morto, era expulso da cidade.

Em contrapartida a este contexto, surgi como herança deste modo de olhar as enfermidades, o fenômeno Loucura. Desse modo, o grande instrumento de normalização social é construído na sociedade da época.

A real existência de que a insanidade deve ser controlada, trata-se de uma medida geral, pois os munícipes ordenavam o expurgo da loucura, como um estado de vagabundagem, entretanto, outros fatos comprovam que o sujeito improdutivo não era a tão defendida situação caótica, certos loucos recebidos nos hospitais eram tratados como loucos, escorraçados das cidades, a não ser certas cidades medievais que tomavam conta de seus “cidadãos loucos”, pois existiam donativos em pról da sanidade. Surge nesta época os lugares de peregrinação, dando a entender que as naus de loucos, simbolicamente, eram os insanos em busca da razão. Outras cidades, “acolhiam” um grande número de loucos, acima do que podia oferecer, existiam alojamentos mantidos pelo orçamento da cidade, sem cuidados, eram jogados na prisão.

A história apresenta que a preocupação no cuidar e no excluir, era reduzida no espaço sagrado do milagre, mesmo a igreja não permitindo o acesso aos loucos, somente o uso dos sacramentos: “(...) lugar de peregrinação que se tornou prisão, terra santa onde a loucura espera sua libertação, mas onde o homem realiza, segundo velhos temas, como uma partilha ritual” .

A relação da igreja, com a insanidade de um padre, fundamenta-se na sua expulsão com uma solenidade particular “como se a impureza se acentuasse pelo caráter sacro da personagem, e a cidade retira de seu orçamento o dinheiro que devia servi-lhe de viático”.

É importante ressaltar que o campo dos diversos métodos de controle da insanidade, com a influência da medicina em conjunto com a religiosidade no controle da vida dos indivíduos, restringia à manutenção e convívio com o diferente, com alguns procedimentos de manifestação pública, como chicoteando alguns loucos em praças públicas e, como num jogo, eram perseguidos com bastonetes e escorraçados das cidades, para se ter a certeza de que iriam longe, aprisionados pela suas próprias partidas, o tratamento ao louco, está na exclusão, tortura e humilhação.

A água também tinha uma representação simbólica, pois confiar os loucos aos marinheiros elucidava a certeza de que não teriam trânsitos de insanos entre os muros da cidade.

O imaginário construído da cultura ocidental é associado à água e a loucura, a inquietude do mar, dos caminhos desconhecidos que emolduram estranhos saberes, a infinidade de desejos e o desatino do que é conceituado como mundo, um cenário inverso ao mundo sólido, da terra propriamente dita materializada nas sólidas cidades.

O imaginário e o real associam-se na expressão de um novo modo de vida, enquanto que a Fé em Deus e a ligação com o mundo sólido são separadas da vida social. Ao navegar por caminhos incertos, confiar a sua vida aos astros, partilhar segredos, afastar de sua família, faz com que o homem se entregue ao diabo e ao oceano de suas artimanhas, gerando uma complexidade naquilo que se apresenta como razão humana e a estrutura da sociedade.

Assim, a loucura vai tomando uma outra forma, simbolizando toda a inquietude da cultura no final da Idade Média. Até a segunda metade do século XV, a sociedade assume a imagem das pestes e das guerras, um papel que a Idade Média não reconhecia, porque a pobreza tinha um sentido de predestinação, uma castidade do supremo, enquanto na Renascença, a pobreza é conseqüência de atos humanos, de estigmas e negligências. As doenças tomam outros aspectos, na lepra o caminho era o da exclusão, enquanto que na peste era de controle. As cidades eram fechadas e divididas em quarteirões, suas casas eram inspecionadas para constatar a existência de doentes. Um modelo dominante de inclusão, cujo objetivo era detectar o foco da doença e que ocorre até hoje. A Loucura dá lugar ao pensamento técnico e livre, proporcionando a busca do conhecimento para recriar uma realidade construída sobre um olhar vigiado da igreja e dos detentores de poder.

A Loucura nesta libertação de significações espirituais fascina porque é um saber. Um saber de difícil acesso, fechado e temível, tomando uma das próprias formas da razão. Ao se desdobrar, a Loucura constitui e institui um signo que trai a sua existência, ameaçando a vida perturbada, inquietante, irrisória com tragédias no mundo externo, comprometendo as relações da subjetividade e da verdade. No século XVII, criou as casas de internamento, desempenhando um papel de assistência e de repressão. No século XVIII, tomou forma moral para não desestabilizar a ordem dos indivíduos na cidade. No século XIX, a hospitalidade que o acolhe baseia-se numa medida de saneamento que o coloca fora do caminho, à ciência utilizou-se do Higienismo_ movimento de controle à saúde e a qualidade de vida, da psicologia Clínica e da Psiquiatria.

Pinel neste século, encontrará neste cenário, loucos esquecidos e que um dia proporcionaram a nossa libertação, surpreende a sociedade na tentativa de reintegrá-lo, retirando as correntes dos internos e com livres acessos nas instalações.

O conceito de normalidade faz gerar um movimento chamado de exclusão. O sofrimento psíquico é parte da constituição e construção da subjetiva de qualquer sujeito, este sofrimento não pode ser diferenciado do normal e do anormal, mas enquanto diversas formas de cuidar do portador deste sofrimento. São estas diversas formas de atendimento, que os princípios antimanicomiais foram refletidos e discutidos na formação de uma consciência crítica. O paciente deve ser ouvido e a sua voz deve dar crédito as suas decisões, construindo seu projeto de vida, concordando ou não com seu tratamento e participando dele em regime de liberdade..

Aualmente o conceito de saúde mental encontra-se no movimento da reforma psiquiátrica, que ainda propaga com muitos desafios e dificuldades na gestão a rede de atenção; como alocação de recursos financeiros do SUS repercutindo no seu modelo assistencial refletindo nos serviços substitutivos; um significativo aumento da demanda em saúde mental; modelo hospitalar, ainda dominante, gerando uma politica ideológica dos hospitais psiquiátricos; fragilidades no acesso; diversificação das ações das equipes multidisciplinares; qualificação da formação profissional e o imaginário social pautado no preconceito, estigma e rejeição em relação ao conceito de loucura. As equipes participantes nos serviços de saúde mental ainda produzem a institucionalização, partindo do princípio de que formas manicomiais expressam na subjstividade em todo o espaço-tempo, atravesando suas ações. A idéia é caminhar para a linguagem, estudar e avaliar registros nas zonas onde engendram processos minoritários ou não, mas buscando aquilo que se revela de forma naturalizada, mas também o que escapa ao discurso da racionalidade dominante. As politicas de reabilitação social do indivíduo que foi institucionalizado e excluído da sociedade, devolvendo a eles a cidadania e seus direitos enquanto seres humanos através de práticas de reabilitação psicossocial, desconsiderando um “paradoxo estrutural”, ou seja, desconsiderando todo pré conceito a respeito do louco que já encontra-se enraigado na sociedade e que vem sendo construído ao longo dos anos. Hoje visa-se somente a busca moderna pela liberdade, igualdade e fraternidade e esta busca deveria basear-se também na consciência cidadã, ou seja, não é possível desinstitucionalizar e inserir na sociedade um sujeito estigmatizado pela mesma sociedade a qual tenta se inseir. Assim, esclarecem:

Portanto, acreditamos que para descobrir o que foi construído, pode potencializar a loucura como diferença com base na recusa das violentas técnicas psiquiátricas que se desenvolvem com uma função social de varrer formas de existência sem rupturas, seja enquanto uma realidade. Estas questões confirmam ser a reforma psiquiátrica a construção de um novo lugar sociopolítico-conceitual-cultural para a loucura, de novas formas de lidar com a diferença.

Para a desinstitucionalização da loucura, existem vários desafios, sendo dois muito importantes para a construção de uma nova trajetória histórica do fenômeno Loucura, a desmitificação do confinamento e controle, estamos passando da sociedade disciplinas para uma sociedade de controle. As sociedades disciplinares atuam basicamente pelas instituições de confinamento, como: família, escola, hospital, prisão, fábrica. No entanto, depois da segunda guerra mundial, essas instituições entram em crise e desmoronam os seus muros. Assim, a familia nuclear burguesa pulveriza-se; e escola entra em colapso; o manicômio torna-se hospital-dia; a fábrica se atomatiza da acumulação flexível; mas, por mais paradoxal que possa parecer, a lógica de controle se generaliza. Desta forma, não existe mais escola e sim processo de educação permanente, sendo a própria vida uma incessante e grandiosa escola; não existe mais produção restrita à fábrica, mas trabalha-se em casa; não existe mais lazer apenas nos espaços de lazer, consumo apenas nos locais de consumo. Portanto, quando as fronteiras dos espaços são borradas, tudo vira escola, tudo vira empresa, etc. É o processo social vigente reeditando a vocação de que tudo tende ao maximalismo no paradigma da modernidade, fruto de uma luta nos campos ético, político, epistemológico, tecnológico e cultural.

SILVA, A.P.R.R; PITERSKIH, A.R; BASILE, G.C; CARVALHO, L.B; SANTOS, R.M.A; BONFANTI,T.D. RAHIN, M.A. (orientador) Os paradigmas do processo socio-histórico do sujeito institucionalizado no movimento anti-manicomial do município de Santos/SP, 2008 Estudos Orientados, Curso de Psicologia, Instituto de Ciências Humanas, UNIP - Universdade Paulista. Santos – Rangel, 2008.

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