Aqui compartilho Vida, Histórias reais ou inventadas. Compartilho contos, que não são de fadas, embora acredite nelas. Aqui compartilho de tudo um conto a mais. Divirtam-se
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Ministério da Saúde - Saúde Mental
http://portal.saude.gov.br/saude/area.cfm?id_area=925
terça-feira, 28 de julho de 2009
Palestra sobre Burnout
Parte 1
Parte 2
Parte Final
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Minha Participação no Encontro Estadual de Saúde Mental
A Secretaria de Estado da Saúde, com apoio do Ministério da Saúde e do Programa de Pós-Graduação da Escola de Enfermagem da USP, reuniu na sexta-feira (26/06) cerca de 2.200 profissionais ligados à área de Saúde Mental. Secretários de Saúde de vários municípios de São Paulo (incluindo Cubatão) e do Brasil participaram da conferência, realizada no prédio da Fecomércio - Teatro Raul Cortez - na Avenida Dr. Plínio Barreto, 285, bairro Bela Vista, na capital. Uma equipe de servidores cubatenses ligados à área de Saúde Mental esteve das 8 às 18 horas acompanhando os trabalhos.
Participaram do evento Pedro Gabriel, representando o Ministério da Saúde, e Maria do Carmo Cabral Carpintero, por parte do Conselho dos Secretários Municipais de Saúde (Consems). Coordenaram o evento Fernanda Nicasso, da USP, na parte da manhã, e Regina Bichaf, da Secretaria Estadual da Saúde, no período da tarde, que teve a abertura de Luiz Roberto Barradas Barata, Secretário de Estado da Saúde.
O encontro teve como conferencista o italiano Benedetto Saraceno, diretor do Departamento de Saúde Mental e Dependência de Substâncias da Organização Mundial da Saúde (OMS). O objetivo do evento era causar uma reflexão conjunta sobre as diretrizes da política de Saúde Mental, bem como o desenvolvimento das ações contra o abusivo e desumano uso de manicômios no Brasil, num contexto que permita “viver na cidade, habitar uma casa, respirar liberdade”.
Desafios para a desinstitucionalização - Na atualidade, a internação em hospícios precários, por longos períodos, de pessoas com transtornos mentais, é um dos principais desafios da Reforma Psiquiátrica em curso no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
Especialistas no assunto entendem que o resgate dos direitos dessas pessoas depende fundamentalmente do esforço a ser empreendido por gestores, pesquisadores, docentes, trabalhadores de Saúde Mental, associações de usuários e familiares, instâncias do controle social do SUS e parceiros de projetos intersetoriais de políticas públicas para a construção e o fortalecimento das redes de atenção psicossocial. Estes são capazes de produzir iniciativas solidárias e inclusivas no contexto de uma sociedade mais justa.
O italiano Benedetto Saraceno apresentou um painel em inglês e explanação em espanhol. Contou de sua trajetória pelo mundo afora e de sua experiência na área em questão. Para ele, problemas mentais são enfermidades crônicas, que demandam atenção especial. “São pacientes complexos, com tratamentos complexos. Por isso, requerem atenção de larga duração”.
Benedetto é crítico dos manicômios. Ele entende que este modelo de atendimento não resolve os problemas e nem traz melhorias à saúde e à vida dos pacientes. “Manicômio custa muito e oferece pouco, e o que oferece é de baixa qualidade”, disse o conferencista, citando ainda algumas barreiras que impedem a melhoria da Saúde Mental: “Necessitamos de mais pesquisas, mais remédios, mais prevenção, mais controle e melhor distribuição dos recursos. Precisamos usar a atenção primária de maneira mais inteligente”.
Comitiva cubatense - Os profissionais de Cubatão disseram ter gostado do que ouviram. Enfatizaram que o encontro realmente foi positivo, uma vez que ali todos estavam num mesmo objetivo: conhecer as perspectivas das possíveis melhorias e políticas voltadas aos pacientes de Saúde Mental. A psicóloga Ana Paula opinou que, como militante antimanicomial, viu no encontro um avanço na ideia que direciona para o fim dos manicômios.
Já a assistente social Maria de Fátima Luz Rodrigues, chefe do Serviço de Saúde Mental em Cubatão, comentou que a conferência de Benedetto Saraceno “favoreceu uma reflexão sobre o nosso modelo de Saúde Mental e quais as estratégias que precisamos adotar para realizarmos uma atenção mais efetiva em nosso município. Este encontro reforça nossas ideologias, nossas práticas, nossas vidas, nossos compromissos com a qualidade social”.
O secretário municipal de Saúde, Vandejacson Bezerra de Andrade, declarou em plenária que Cubatão possui hoje cerca de 12 pacientes que são moradores permanentes de manicômios. Estes cubatenses vivem há anos isolados da sociedade e de suas famílias, em condições extremamente desumanas. Para Vandejacson, tais condições ganham ares de precariedade ainda maior quando comparadas às de outras regiões e até mesmo com as dos presidiários.
Em vista deste cenário, ele manifestou a intenção de implantar uma residência terapêutica específica para este tipo de pacientes. “A Ideia é acolhê-los e iniciar sua reinclusão na sociedade, restituindo sua dignidade, humanidade e cidadania”. Na ocasião, o secretário manifestou ainda a posição da Prefeitura de Cubatão a favor da luta antimanicomial e das diretrizes mais recentes da ONU e OMS. Este posicionamento foi saudado pelos participantes do encontro, posicionando Cubatão na vanguarda técnica e científica no tratamento ao paciente psiquiátrico e ao usuário de álcool de drogas.
Fonte: http://www.cubatao.sp.gov.br/publico/index.php?option=com_content&view=article&id=1049:cubatao-participa-de-encontro-estadual-de-saude-mental&catid=10:noticias-da-cidade&Itemid=50

Conferencista Dr Benedetto Saraceno, Diretor do Depto. de Saúde Mental e Dep. de Substâncias da Organização Mundial de Saúde
quinta-feira, 23 de julho de 2009
O Movimento Antimanicomial no Brasil
O Movimento antimanicomial faz parte de um contexto social histórico – político - institucional. Um movimento que articula diferentes momentos de relações solidárias, conflitos e denúncias sociais, visando às transformações nas concepções pautadas na discriminação do conceito de louco e loucura no Brasil.
A promulgação da lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001, foi um ponto forte nas transformações da Saúde Mental, aprovada, após doze anos de tramitação. A Lei "dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental", determina - no parágrafo único do artigo 2º - que são direitos da pessoa com transtorno mental, entre outros, "ser tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis" e ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental.
Atualmente, a Saúde Mental transita num processo de reforma psiquiátrica, objetivando a reinserção social, deste modo, os movimentos sociais têm como foco o resgate da cidadania e a efetivação dos direitos humanos. A maior expressão disso são os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e Núcleos de Atenção Psicossocial (Naps). Mesmo com este quadro, a saúde mental brasileira ainda, responde ao modelo hospitalar dominante, muito semelhante ao da ideologia dos hospitais psiquiátricos, onde existem dificuldades nos acessos, equipes multidisciplinares exercendo suas especializações de maneira única, e uma idéia de loucura com preconceito e estigma.
Desafiar os códigos dominantes, romper com as invisibilidades e os silêncios, trazer à luz do dia as realidades ancoradas em relações de poder e dominação envernizadas por discursos competentes: eis os principais méritos e desafios dos movimentos sociais na contemporaneidade. Portadores de solidariedade e agentes de conflito, os movimentos sociais são considerados portadores privilegiados das denúncias às variadas formas de injustiça social. SILVA, A.P.R.R; PITERSKIH, A.R; BASILE, G.C; CARVALHO, L.B; SANTOS, R.M.A; BONFANTI,T.D. RAHIN, M.A. (orientador) Os paradigmas do processo socio-histórico do sujeito institucionalizado no movimento anti-manicomial do município de Santos/SP, 2008 Estudos Orientados, Curso de Psicologia, Instituto de Ciências Humanas, UNIP - Universdade Paulista. Santos – Rangel, 2008.
A Reforma Psiquiátrica e a Constituição de Práticas Substitutivas em Saúde mental
O processo de transformação das práticas no âmbito da saúde mental, assim como a efetivação dos pressupostos do Movimento de Luta Antimanicomial implicam mudanças em diversos âmbitos: do teórico ao cultural, passando pelo campo de construção de políticas e modelos de atenção. Busca-se não só constituir novas práticas no campo da assistência à saúde mental como também produzir transformações no que diz respeito ao lugar social dado à loucura, ao diferente, questionando uma cultura que estigmatiza e marginaliza determinados grupos sociais.
Tal proposta acaba por colocar em questão valores e representações sobre a loucura há muito arraigados em nossa sociedade e que estão na base de nossa constituição como sujeitos.
A sociedade tende a manter uma clivagem entre aquilo que é considerado normal e patológico, colocando à margem loucos, delinqüentes, prostitutas, desviantes em geral das condutas socialmente aceitas. O estigma recai sobre essas figuras portadoras da desrazão, da criminalidade e de uma sexualidade descontrolada. Desse modo, a sociedade acaba por se defender de sua própria loucura, sua própria delinqüência e sua própria prostituição, e desta maneira aliena, desconhece e trata como se fossem alheias e não lhe correspondesse.
Reincorporar a figura do "louco" ao convívio social implica suspender essa clivagem mobilizando as mais diversas fantasias e angústias, tendo em vista que a organização de nossa sociedade e cultura desempenha a função de um metaquadro tanto para as instituições quanto para os sujeitos que aí se inserem. Desse modo, a reaproximação dos campos da loucura mobiliza também aspectos de ordem psíquica, o medo frente ao diferente, àquilo que por longos anos ficou depositado e recluso no interior dos muros do hospital psiquiátrico.
Na realidade do "louco e da loucura", transformada, pelos saberes médicos, em doença, alienação, desajuste, irracionalidade e perversão, a loucura carrega um conjunto de práticas, concepções e saberes que, ancorados em uma moralidade ditada pelos bons costumes, pela ordem e pelo trabalho produtivo, faz desligar, de forma explicitamente violenta, os diferentes laços de construção e pertencimento humanos. Legitimado pelo saber, esse desligamento opera através de um discurso que "subtrai a totalidade subjetiva e histórico-social a uma leitura classificatória do limite dado pelo saber médico (...) uma leitura produtora da redução, exclusão e morte social." O manicômio é a tradução mais completa dessa exclusão, controle e violência. Seus muros escondem a violência (física e simbólica) através de uma roupagem protetora que desculpabiliza a sociedade e descontextualiza os processos sócio-históricos da produção e reprodução da loucura. A ruptura com o modelo manicomial significa, para o movimento, muito mais do que o fim do hospital psiquiátrico. Segundo o mesmo artigo, significa a "contraposição à negatividade patológica construída na observação favorecida pela segregação e articuladora de noções e conceitos como a incapacidade, a periculosidade, a invalidez e a inimputabilidade".
Se a contraposição ao modelo manicomial objetiva transformações da cultura, ela remete também a mudanças com relação às alianças inconscientes, aos contratos narcísicos e investimentos psíquicos que se dão nos grupos protagonistas desse processo. As transformações não se dão apenas na ordem do explícito do discurso e das práticas, mas também atingem o âmbito daquilo que subjaz inconsciente e encoberto nos grupos.
O texto afirma ainda que o abandono de antigos códigos norteadores das práticas envolve a transformação dos laços de significação vigentes. Ainda que os códigos anteriores sejam inadequados, eles asseguravam um modelo de condutas e representações comuns no que tange ao lugar do técnico, à relação profissional/paciente, à concepção da doença. A transformação desse modo de regulação provoca um momento de fragilidade que é vivida como uma ameaça contra o próprio sujeito e seu grupo de pertencimento. Vemos aí uma perda de estabilidade psicológica e social.
Tal análise dá subsídios à compreensão dos processos de crise vividos pelas instituições de tratamento que se desdobram por vezes em ações violentas de cisões da equipe e por outras numa apatia e impotência generalizadas. Pelo entendimento de que a instituição e o grupo servem de apoio psíquico aos sujeitos, podemos compreender, mediante um outro ponto de vista, os processos de resistência à mudança e os movimentos ideológicos tantas vezes encontrados em instituições de tratamento.
SILVA, A.P.R.R; PITERSKIH, A.R; BASILE, G.C; CARVALHO, L.B; SANTOS, R.M.A; BONFANTI,T.D. RAHIN, M.A. (orientador) Os paradigmas do processo socio-histórico do sujeito institucionalizado no movimento anti-manicomial do município de Santos/SP, 2008 Estudos Orientados, Curso de Psicologia, Instituto de Ciências Humanas, UNIP - Universdade Paulista. Santos – Rangel, 2008.
O Processo Histórico da Loucura
O Processo Histórico da Loucura
O Processo histórico da loucura implica em vários momentos da vida social da humanidade. Esse processo sempre esteve engajado naquilo que se considera padrão ou norma, fundamentado pela sociedade. Na idade média, o processo criado e difundido desde os parâmetros da doença lepra, atualmente conhecida como hanseníase. Esta patologia “desaparece” do mundo ocidental, permeada num contexto religioso, basicamente devido ao modo de tratamento. A lepra se retira do contexto social deixando nos lugares obscuros e nos ritos, que a destinam a suprimí-la, numa distância sacramentada numa exaltação inversa aos termos estruturados da igreja
Naquela época, tanto os portadores desta enfermidade (lepra) quanto os portadores das doenças sexualmente transmissíveis, são designados a tratamento de ordem moral de exclusão, as cidades européias designavam aos que contraíam estes tipos de doença a morte. A morte social despojando-o de sua identidade jurídica e, como era considerado morto, era expulso da cidade.
Em contrapartida a este contexto, surgi como herança deste modo de olhar as enfermidades, o fenômeno Loucura. Desse modo, o grande instrumento de normalização social é construído na sociedade da época.
A real existência de que a insanidade deve ser controlada, trata-se de uma medida geral, pois os munícipes ordenavam o expurgo da loucura, como um estado de vagabundagem, entretanto, outros fatos comprovam que o sujeito improdutivo não era a tão defendida situação caótica, certos loucos recebidos nos hospitais eram tratados como loucos, escorraçados das cidades, a não ser certas cidades medievais que tomavam conta de seus “cidadãos loucos”, pois existiam donativos em pról da sanidade. Surge nesta época os lugares de peregrinação, dando a entender que as naus de loucos, simbolicamente, eram os insanos em busca da razão. Outras cidades, “acolhiam” um grande número de loucos, acima do que podia oferecer, existiam alojamentos mantidos pelo orçamento da cidade, sem cuidados, eram jogados na prisão.
A história apresenta que a preocupação no cuidar e no excluir, era reduzida no espaço sagrado do milagre, mesmo a igreja não permitindo o acesso aos loucos, somente o uso dos sacramentos: “(...) lugar de peregrinação que se tornou prisão, terra santa onde a loucura espera sua libertação, mas onde o homem realiza, segundo velhos temas, como uma partilha ritual” .
A relação da igreja, com a insanidade de um padre, fundamenta-se na sua expulsão com uma solenidade particular “como se a impureza se acentuasse pelo caráter sacro da personagem, e a cidade retira de seu orçamento o dinheiro que devia servi-lhe de viático”.
É importante ressaltar que o campo dos diversos métodos de controle da insanidade, com a influência da medicina em conjunto com a religiosidade no controle da vida dos indivíduos, restringia à manutenção e convívio com o diferente, com alguns procedimentos de manifestação pública, como chicoteando alguns loucos em praças públicas e, como num jogo, eram perseguidos com bastonetes e escorraçados das cidades, para se ter a certeza de que iriam longe, aprisionados pela suas próprias partidas, o tratamento ao louco, está na exclusão, tortura e humilhação.
A água também tinha uma representação simbólica, pois confiar os loucos aos marinheiros elucidava a certeza de que não teriam trânsitos de insanos entre os muros da cidade.
O imaginário construído da cultura ocidental é associado à água e a loucura, a inquietude do mar, dos caminhos desconhecidos que emolduram estranhos saberes, a infinidade de desejos e o desatino do que é conceituado como mundo, um cenário inverso ao mundo sólido, da terra propriamente dita materializada nas sólidas cidades.
O imaginário e o real associam-se na expressão de um novo modo de vida, enquanto que a Fé em Deus e a ligação com o mundo sólido são separadas da vida social. Ao navegar por caminhos incertos, confiar a sua vida aos astros, partilhar segredos, afastar de sua família, faz com que o homem se entregue ao diabo e ao oceano de suas artimanhas, gerando uma complexidade naquilo que se apresenta como razão humana e a estrutura da sociedade.
Assim, a loucura vai tomando uma outra forma, simbolizando toda a inquietude da cultura no final da Idade Média. Até a segunda metade do século XV, a sociedade assume a imagem das pestes e das guerras, um papel que a Idade Média não reconhecia, porque a pobreza tinha um sentido de predestinação, uma castidade do supremo, enquanto na Renascença, a pobreza é conseqüência de atos humanos, de estigmas e negligências. As doenças tomam outros aspectos, na lepra o caminho era o da exclusão, enquanto que na peste era de controle. As cidades eram fechadas e divididas em quarteirões, suas casas eram inspecionadas para constatar a existência de doentes. Um modelo dominante de inclusão, cujo objetivo era detectar o foco da doença e que ocorre até hoje. A Loucura dá lugar ao pensamento técnico e livre, proporcionando a busca do conhecimento para recriar uma realidade construída sobre um olhar vigiado da igreja e dos detentores de poder.
A Loucura nesta libertação de significações espirituais fascina porque é um saber. Um saber de difícil acesso, fechado e temível, tomando uma das próprias formas da razão. Ao se desdobrar, a Loucura constitui e institui um signo que trai a sua existência, ameaçando a vida perturbada, inquietante, irrisória com tragédias no mundo externo, comprometendo as relações da subjetividade e da verdade. No século XVII, criou as casas de internamento, desempenhando um papel de assistência e de repressão. No século XVIII, tomou forma moral para não desestabilizar a ordem dos indivíduos na cidade. No século XIX, a hospitalidade que o acolhe baseia-se numa medida de saneamento que o coloca fora do caminho, à ciência utilizou-se do Higienismo_ movimento de controle à saúde e a qualidade de vida, da psicologia Clínica e da Psiquiatria.
Pinel neste século, encontrará neste cenário, loucos esquecidos e que um dia proporcionaram a nossa libertação, surpreende a sociedade na tentativa de reintegrá-lo, retirando as correntes dos internos e com livres acessos nas instalações.
O conceito de normalidade faz gerar um movimento chamado de exclusão. O sofrimento psíquico é parte da constituição e construção da subjetiva de qualquer sujeito, este sofrimento não pode ser diferenciado do normal e do anormal, mas enquanto diversas formas de cuidar do portador deste sofrimento. São estas diversas formas de atendimento, que os princípios antimanicomiais foram refletidos e discutidos na formação de uma consciência crítica. O paciente deve ser ouvido e a sua voz deve dar crédito as suas decisões, construindo seu projeto de vida, concordando ou não com seu tratamento e participando dele em regime de liberdade..
Aualmente o conceito de saúde mental encontra-se no movimento da reforma psiquiátrica, que ainda propaga com muitos desafios e dificuldades na gestão a rede de atenção; como alocação de recursos financeiros do SUS repercutindo no seu modelo assistencial refletindo nos serviços substitutivos; um significativo aumento da demanda em saúde mental; modelo hospitalar, ainda dominante, gerando uma politica ideológica dos hospitais psiquiátricos; fragilidades no acesso; diversificação das ações das equipes multidisciplinares; qualificação da formação profissional e o imaginário social pautado no preconceito, estigma e rejeição em relação ao conceito de loucura. As equipes participantes nos serviços de saúde mental ainda produzem a institucionalização, partindo do princípio de que formas manicomiais expressam na subjstividade em todo o espaço-tempo, atravesando suas ações. A idéia é caminhar para a linguagem, estudar e avaliar registros nas zonas onde engendram processos minoritários ou não, mas buscando aquilo que se revela de forma naturalizada, mas também o que escapa ao discurso da racionalidade dominante. As politicas de reabilitação social do indivíduo que foi institucionalizado e excluído da sociedade, devolvendo a eles a cidadania e seus direitos enquanto seres humanos através de práticas de reabilitação psicossocial, desconsiderando um “paradoxo estrutural”, ou seja, desconsiderando todo pré conceito a respeito do louco que já encontra-se enraigado na sociedade e que vem sendo construído ao longo dos anos. Hoje visa-se somente a busca moderna pela liberdade, igualdade e fraternidade e esta busca deveria basear-se também na consciência cidadã, ou seja, não é possível desinstitucionalizar e inserir na sociedade um sujeito estigmatizado pela mesma sociedade a qual tenta se inseir. Assim, esclarecem:
Portanto, acreditamos que para descobrir o que foi construído, pode potencializar a loucura como diferença com base na recusa das violentas técnicas psiquiátricas que se desenvolvem com uma função social de varrer formas de existência sem rupturas, seja enquanto uma realidade. Estas questões confirmam ser a reforma psiquiátrica a construção de um novo lugar sociopolítico-conceitual-cultural para a loucura, de novas formas de lidar com a diferença.
Para a desinstitucionalização da loucura, existem vários desafios, sendo dois muito importantes para a construção de uma nova trajetória histórica do fenômeno Loucura, a desmitificação do confinamento e controle, estamos passando da sociedade disciplinas para uma sociedade de controle. As sociedades disciplinares atuam basicamente pelas instituições de confinamento, como: família, escola, hospital, prisão, fábrica. No entanto, depois da segunda guerra mundial, essas instituições entram em crise e desmoronam os seus muros. Assim, a familia nuclear burguesa pulveriza-se; e escola entra em colapso; o manicômio torna-se hospital-dia; a fábrica se atomatiza da acumulação flexível; mas, por mais paradoxal que possa parecer, a lógica de controle se generaliza. Desta forma, não existe mais escola e sim processo de educação permanente, sendo a própria vida uma incessante e grandiosa escola; não existe mais produção restrita à fábrica, mas trabalha-se em casa; não existe mais lazer apenas nos espaços de lazer, consumo apenas nos locais de consumo. Portanto, quando as fronteiras dos espaços são borradas, tudo vira escola, tudo vira empresa, etc. É o processo social vigente reeditando a vocação de que tudo tende ao maximalismo no paradigma da modernidade, fruto de uma luta nos campos ético, político, epistemológico, tecnológico e cultural.
SILVA, A.P.R.R; PITERSKIH, A.R; BASILE, G.C; CARVALHO, L.B; SANTOS, R.M.A; BONFANTI,T.D. RAHIN, M.A. (orientador) Os paradigmas do processo socio-histórico do sujeito institucionalizado no movimento anti-manicomial do município de Santos/SP, 2008 Estudos Orientados, Curso de Psicologia, Instituto de Ciências Humanas, UNIP - Universdade Paulista. Santos – Rangel, 2008.
Estigma e Identidade Social
Desde a Grécia Antiga, o termo estigma era marcado por sinais corporais, para demonstrar o mau sobre o status moral, sinais feitos com cortes ou fogo no corpo, denunciando um traidor, criminoso ou escravo. Segundo Goffman (1961): “uma pessoa marcada, ritualmente poluída, que devia ser evitada, especialmente em lugares públicos.”. (p.11)
A origem do estigma é produzida pela sociedade, com o objetivo de promover os padrões da sua identidade social, ou seja, atribuindo a um indivíduo aquilo que deveria ser, seja uma caracterização efetiva, seja como identidade social virtual ou real. Quanto mais descrédito for o seu conceito, mais efeito o estigma garante na imagem depreciativa de alguém, entretanto:
(...) o termo estigma e seus sinônimos ocultam uma dupla perspectiva: assume o estigmatizado que a característica distintiva já é conhecida ou é imediatamente evidente ou então que ela não é nem conhecida pelos presentes e nem imediatamente perceptível por eles? No primeiro caso, está-se lidando com a condição do desacreditado, no segundo com a do desacreditável. Esta é uma diferença importante, mesmo que um indivíduo estigmatizado em particular tenha, provavelmente, experimentado ambas as situações (...) encontram-se as mesmas características sociológicas. (Goffman, 1961 p.15)
Enquanto características sociológicas ou até mesmo antropológicas, a idéia do que é ou não ser normal, são equiparadas ao fato de alguém com um estigma não seja completamente humano. Assim elucida Goffman (1961) os propósitos do normal:
(...) fazemos vários tipos de discriminações, através das quais efetivamente, e muitas vezes sem pensar, reduzimos suas chances de vida. Construímos uma teoria do estigma, uma ideologia para explicar a sua inferioridade e dar conta do perigo que ela representa, racionalizando algumas vezes uma animosidade baseada em outras diferenças, tais como as de classe social. Utilizamos termos específicos de estigma como aleijado, bastardo, retardado em nosso discurso diário como fonte de metáfora e representação, de maneira característica, sem pensar no seu significado original. (p.15)
Nesse sentido, os membros de uma categoria social determinam um padrão de julgamento, no qual não se aplica a eles. Refere-se ao pensar e agir de maneiras diferentes, entre o cumprir uma norma e o fato de apoiá-la, um estilo de conduta contraditório no âmbito da socialização dos indivíduos, não deveriam apenas apoiar uma norma, mas também cumpri-la, pois é um produto que corresponde à forma social, o seu modo de ser social determinando a sua consciência do modo de existir.
É importante ressaltar que o indivíduo estigmatizado em termos de agir e do pensar, tende a ter as mesmas crenças sobre a sua própria identidade:
“(...) seus sentimentos mais profundos sobre o que ele é podem confundir a sua sensação de ser uma “pessoa normal”, um ser humano como qualquer outro, uma criatura, portanto, que merece um destino agradável e uma oportunidade legítima.” (GOFFMAN, 1961 p.16)
Desta forma, diante dos normais, esta imagem estigmatizada será reforçada entre as auto-exigências, a auto – depreciação, fundada no elemento negativo da razão. Todavia, a pessoa estigmatizada pode responder de outra maneira esta situação, corrigindo diretamente o que considera a base objetiva de seu defeito, uma transformação do ego ou de uma maneira indireta, um esforço individual ao domínio de áreas de atividades, absolutamente fechadas a sua referência pessoal. Neste sentido, “a pessoa com um atributo diferencial vergonhoso pode romper com aquilo que é chamado de realidade, e tentar obstinadamente empregar uma interpretação não convencional do caráter de sua identidade social.” (Goffman, 1961 p.20)
Em relação ao intercâmbio social, entre norma e estigmatizado, Goffman (1961) dá uma definição que possibilita identificarmos as causas e efeitos do estigma:
Quando normais e estigmatizados realmente se encontram na presença imediata um dos outros, especialmente quando tentam manter uma conversação, ocorre uma das cenas fundamentais da sociologia porque, em muitos casos, esses momentos serão aqueles em que ambos os lados enfrentarão diretamente as causas e efeitos do estigma. O indivíduo estigmatizado pode descobrir que se sente inseguro em relação à maneira como os normais o identificarão e o receberão. (...) Essa incerteza é ocasionada não só porque o indivíduo não sabe em qual das várias categorias ele será colocado, mas também, quando a colocação é favorável, pelo fato de que, intimamente, os outros possam defini-lo em termos de seu estigma. (...) Assim, surge no estigmatizado a sensação de não saber aquilo que os outros estão “realmente” pensando dele. (p.23)
Assim, a realidade aparente e a essência da realidade, entre estigma e normal, são produtos da cultura instituída na relação da subjetividade do indivíduo, forçando-o a se ajustar nesta ordem externa, que é o meio social.
SILVA, A.P.R.R; PITERSKIH, A.R; BASILE, G.C; CARVALHO, L.B; SANTOS, R.M.A; BONFANTI,T.D. RAHIN, M.A. (orientador) Os paradigmas do processo socio-histórico do sujeito institucionalizado no movimento anti-manicomial do município de Santos/SP, 2008 Estudos Orientados, Curso de Psicologia, Instituto de Ciências Humanas, UNIP - Universdade Paulista. Santos – Rangel, 2008.






A Saúde Mental muito bem representada