sábado, 26 de abril de 2014

As meninas ainda Brincam

(Postado pela 1°vez em 2009) Um de meus passatempos favoritos quando vou à praia é observar crianças brincando na areia, na minha opinião um momento de pura magia, fico horas ali parada só observando. A fantasia e todo processo de simbolização e construção desenvolvido pelas crianças enquanto brincam na areia da praia é algo fantástico de ser observado. A maioria dos pais levam uma infinidade de brinquedos para a praia, eu adoro, quanto mais melhor, e as crianças colocam toda sua imaginação para funcionar rumo à uma incrível e deliciosa brincadeira. Um brincar puro, que depende exclusivamente da fantasia e da inocência. Tem ainda aqueles que não levam quase nenhum brinquedo, (destes eu gosto ainda mais, ) e nem por isso as crianças deixam de brincar e lançam mão dos famosos castelos de areia, tão lindos e cheios de fantasia. Hoje fui à praia com meus filhos, tomar um solzinho que anda tão raro por aqui, e perto de nós estavam duas meninas já grandinhas, brincando de bonecas. Foi o suficiente para me tirar totalmente da realidade e me fazer entrar naquela brincadeira também. Ficaria novamente horas ali só observando-as, mas desta vez fiquei só um pouquinho, o suficiente para admirar aquelas duas garotas de uns doze, treze anos, brincando de bonecas. Uma cena linda, de duas (também lindas) meninas brincando com suas bonecas, mesinhas, panelinhas e copinhos, elas conversavam com as bonecas e manipulavam os brinquedos todos, numa total e saudável interação, coisa linda de se ver e admirar.Estamos vivendo um momento em que as crianças principalmente as meninas são forçadas a crescer tão rapidamente, oferece-se a elas a precoce oportunidade de se tornarem mini-mulheres, sexualizadas e desejantes desde muito cedo, uma pena. Mas o que vi ali na praia me trouxe a deliciosa esperança de que ainda há espaço para ser criança. Ainda podemos comprar bonecas e brinquedos para nossas meninas de doze anos. Pode até ser que algumas garotinhas gostem de maquiagem, batom, salto alto, mas aquelas duas meninas da praia hoje, nos mostram que ainda existem as que gostam de bonecas, panelinhas e brinquedinhos. Que tal promovermos mais estes tipos de estímulos? Vamos pensar nisso? 

Intenso

"A Intensidade no Vazio
E eu sendo assim tão eu
vou traduzindo o mundo particularmente como se fosse só meu
quisera eu que tudo fosse meu
e pudesse ser assim 
Quando me alegro sou assim, muito alegre
Quando me entristeço sou assim,muito triste
Quando a vida me sorri eu sorriu de volta
Quando a vida me passa rasteira
Choro pela vida inteira
Só sinto ser perecível ao tempo
e não poder voltar atras
Lamento por tudo que não fiz
me arrependo por quase tudo que fiz
se por um triz pudesse voltar 

eu pediria para ficar"

O que você viveu ninguém rouba.

O que você viveu ninguém rouba.
Seus amores secretos, tempestades e estiagens, sonhos alagados de ideais, as vezes tão pueris e ingênuos. Seu pendor artístico, os gestos incompletos, sorrisos entregues às luzes do anoitecer, pálpebras que piscam com suavidade, mistérios da alvorada. Todas estas riquezas lhe pertencem. Esta é a sua abastada herança, que se manterá pulsante, enquanto você, com suas vestes de carne fresca ou amadurecida, deslizar entre a terra dos homens.
Ainda que você envelheça e já no limiar da morte, perceba fugirem suas memórias ou a consciência delas. Mesmo que submetido ao cansaço dos anos, se curve na presença de lembranças anêmicas, os seus pertences, desbotadas fotos, ainda estarão lá. Guardados na caixa de preciosidades que compõem toda a sua vida.
Ainda que você queira enterrar ou incinerar experiências, elas permanecerão flutuando. Ligeiras e leves como um pássaro pequeno. Enquanto a vida soprar em suas veias, em algum canto do seu coração, o seu álbum de histórias permanecerá intacto.
Mesmo que você tente se sabotar de diversas formas, sonegar da consciência pendores e raros talentos, eles ainda continuarão existindo. Talvez assustados, tímidos e encolhidos na antessala do seu espírito. Porque verdade seja dita: nem mesmo você, por mais que se esforce, consegue roubar a si próprio. _ De Gabriel García Márquez.

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