Discorrer sobre tal tema é um assunto muito delicado. Falar e pontuar sobre esta questão não é algo a ser tratado em sua superfície, e sim, deve-se percorrer um minucioso caminho para então encontrar as motivações que constituem tal problemática.
Para uma reflexão de tal porte, necessariamente não é preciso falar sobre a pessoa com necessidades especiais, o seja, o dito popular deficiente mental. Mesmo por que os especiais são sujeitos sociais inseridos nos mais diversos espaços – família, escola, religião, comunidade e etc. E assim, tais espaços são pautas do tema deficiência mental.
Ao passo que existem, as pessoas com necessidades especiais são membros que constituem a polis, ou seja, a cidade, o ambiente urbano. Portanto, aqui cabe questionar se de fato existe exclusão, e ainda, onde existe a exclusão? Perante exposto, é fundamental uma reflexão sobre o que é exclusão social.
Tais apontamentos acima são oriundos dos discursos políticos que versam sobre inclusão social, visto que, inclui-se o que está excluído. Pois bem, podemos afirmar que se os políticos, bem como, as políticas públicas discorrem sobre a necessidade de inclusão é por que existem os supostos excluídos. Mas, se pensarmos no sentido da palavra exclusão – excluído - podemos chegar à conclusão de que esta tem o significado que remete a estar fora de algo. Então, para que uma pessoa seja excluída, ela necessariamente deve estar fora da polis. O que é humanamente impossível.
Sendo assim, podemos questionar a veracidade, bem como, a fidedignidade do significado da palavra utilizada pela sociedade atual, e também, dos discursos inseridos pelas políticas públicas sobre a inclusão social. Como incluir alguém socialmente, se esse sujeito não está fora da sociedade? Como dito, todos estamos inseridos socialmente. Todos pertencemos a um espaço urbano, e percorrermos, mesmo que de maneira limitada, lugares diversos.
Por que será então, que a sociedade discursa pela necessidade de inclusão social? Por que será então, que a sociedade – poderes públicos, ONGs e etc – desempenha atitudes e as classificam como inclusão social. Onde nasce essa necessidade? Nos deficientes, ou nos ditos normais? Onde será que mora deficiência? Será que está presente nos classificados pela sociedade como deficientes, ou no olhar daqueles que os observam?
É fundamental a reflexão sobre as construções coletivas, e que essas passam por um processo histórico. Dentre as mais diversas significações que a sociedade instituiu ao longo dos séculos, é peça chave perceber que a classificação sobre deficiência mental surge na angústia que o Homem moderno tem mediante a necessidade de lidar com a tão popular loucura. Classificar, apontar e discriminar a loucura pode ser também, uma maneira de espantar aquilo que está bem próximo, ou seja, algo que é bem íntimo e presente em cada um de nós.
Antes mesmo dos seres humanos habitarem no planeta terra, aqui já existiam os eventos naturais – sol, vento, terra, chuva, montanhas, florestas e etc. Mas esses, só passaram a existir na mente humana a partir do momento que o Homem os classificou como tal. Sendo assim, a deficiência mental, bem como, a loucura também são significações construídas pelos seres sociais, ou seja, são construções coletivas. E ainda, não existem no deficiente mental ou no louco, mas sim, estão presentes no olhar daqueles que os observam.
Sobre o autor: Rui Alexandre Sibilio - Psicólogo CRP 06 – 94026, Formado pela UNIP – Santos, pós-graduando em Psicoterapia Psicanalítica pelo Instituto de Psicologia da USP. Foi administrador da APAE Peruíbe, atualmente realiza atendimento clínico em Psicoterapia, atendimentos em grupos com práticas de Oficinas de Criatividade em Arte Terapia. Implanta projetos ligados a área de Gestão de Pessoas e Desenvolvimento Humano e ocupa o cargo de psicólogo na Fundação C.A.S.A. Peruíbe.
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atendimentos em Peruíbe e Santos - SP
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