É estarrecedor todas as vezes que temos que nos deparar com episódios como este do caso Eliza Samúdio e do seu namorado-assassino Bruno Souza.
Qualquer que tenha sido a motivação desta barbárie vai encontrar em algum momento traços da personalidade psicopática de pessoas como Bruno.
Arrogante, agressivo, de difícil convívio, ambicioso, vaidoso, exibicionista (retirado de fontes esportivas e canais de notícia). Assim foi definido Bruno por outros atletas e dirigentes esportivos.
Um ser que se sente tão acima do bem e do mal que em meio a uma prisão ao invés de se preocupar com o que na verdade estava acontecendo com ele, preferiu pensar que tudo aquilo seria rapidamente resolvido, comprado, pago e logo em breve estaria na Copa 2014.
Mas toda essa introdução serve apenas para ilustrar o que na verdade quero tratar com este texto.
Quero falar de nós, é, eu e você, membros de uma sociedade aonde infelizmente acabamos nos transformando em "fermento" responsáveis por dar "vida" a estes monstros.
Somos nós quem produzimos estes seres que se acham semideuses, capazes de tudo, impunes, irrepreensíveis, incorrigíveis, onipotentes e amorais.
No mundo futebolístico isso é ainda mais notório. Cada vez que negociamos um jogador de futebol por cifras muitas vezes incalculáveis acabamos de produzir mais um ser que se achará capaz de conseguir tudo.
A partir daí tudo o que gira em torno desse nome serve apenas de combustível para uma personalidade já precariamente formada.
A esmagadora maioria destes jogadores milionários vieram de realidades extremamente cruéis. Foram meninos criados e formados em meio a extrema miséria não apenas financeira mas principalmente e mais importante a miséria da falta total de afeto, amor, carinho, compreensão, limites e regras.
Não quero justificar a falta de dinheiro, a pobreza, com a violência pois a esfera da violência passa num limiar ainda mais acima. O quero dizer, é que a falta de elementos básicos para a formação de uma personalidade saudável (denominado Holding por Winnicott) não foram encontrados na vida da maioria destes meninos.
Suas famílias não reproduziram neles aspectos jamais aprendidos, ou seja, não lhes foi dado o mínimo de afeto porque nunca houve afeto na história daquela família.
Eu somente sou capaz de repetir algo se algum dia eu tenha aprendido.
Estas crianças chegam à vida adulta sem terem conhecido o básico que é o amor, o respeito e o afeto pelo outro.
Todas as instâncias de suas vidas foram compradas pelo dinheiro que ganharam e ainda ganham.
Tudo passa a ter um preço. As mulheres que os cercam são tão comercializadas quanto os mega-carros que se utilizam.
As amizades que conquistam são baseadas no quanto de diversão poderão proporcionar e a lista de objetos adquiridos vai engrossando a cada novo contrato.
Poderíamos citar inúmeros nomes mas tenho certeza que alguns deles já passaram pela sua cabeça enquanto lia este artigo.
Agora, quero voltar a falar de nós e do quanto somos responsáveis por financiar todo este espetáculo de horrores.
Uma camisa de time de futebol oficial custa em média (dependendo é claro da posição do time no campeonato e do número da camisa escolhida, quanto mais em alta o jogador estiver, mais cara será esta camisa) 100 reais deste valor uma porcentagem vai direto para o bolso do jogador “dono” da camisa.
Foram feitos os cálculos de quanto Bruno embolsaria durante 15 anos como jogador de futebol na Europa. R$ 300,000,000. Simplesmente por jogar futebol.
Você pode estar perguntando aonde está sua culpa em tudo isso? Eu respondo, nossa culpa está em inverter a todo instante o valor das coisas.
Ensinamos nossos filhos a idolatrar pessoas, objetos, bens, dinheiro, fama a qualquer custo. Esquecemos de ensinar nossos filhos simplesmente o básico, o respeito pelo próximo.
Tudo seria diferente se ensinássemos nossos filhos sobre o Verdadeiro Amor ao próximo. Se o mundo entendesse sobre o outro e olhasse para o outro, não haveria espaço para ídolos porque seríamos todos iguais. Não haveriam Brunos, Adrianos, Ronaldos, Edmundos, Romários e tantos outros personagens que batem, humilham, degeneram, abandonam, ignoram e matam.
Lamentável
Nada no ser humano me surpreende
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