Aquele gosto ficou, por assim dizer, no finalzinho da boca, aonde a língua toca o amargo. Mas atenção: sabor e gosto são facilmente confundidos, eu falo de gosto não de sabor. Se eu fosse falar de sabor teria que misturar o paladar e o olfato. No quesito, olfato, sou ótima, memória olfativa impecável, já no paladar não sou tão boa e erro a mão na maioria das vezes. Voltando ao gosto, a prova passou pela ponta da língua, atravessou toda boca e parou, como uma tragada daquelas que a fumaça paira sobre a boca mas não chega aos pulmões, você expulsa antes. O grande efeito maléfico disso é que fico tentando sentir o mesmo gosto e não consigo o amargo insiste em permanecer no final. Lamentável.
Em pensar que os lábios tocaram,
a língua explorou, mas não houve saliva suficiente para difundir o gosto todo e me dar o prazer do paladar satisfeito, completo, temperado, apimentado. Que falta faz um tantinho de saliva, teria conseguido engolir, mas à seco... não deu

2 comentários:
O titulo me faz lembrar a música e o conto combinou com o título, perfeita como sempre
Leia http://pensador.uol.com.br/frase/MTEwMzg2OA/
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