domingo, 23 de agosto de 2009

Humor

Qual a real dimensão do humor em nossa vida? Sem ele, seríamos como robôs, não experimentaríamos a riqueza dos sentimentos, das emoções, dos vínculos afetivos, dos sonhos, das decepções. O humor é como a variedade de cores de um quadro; é o gol, o drible e a vontade de ganhar em um jogo de futebol. Para sentir a falta que faz a dimensão do humor, imagine um quadro sem cores e nuances, um jogo de futebol em que jogadores correm sem destino. Certamente deixam de ser um quadro e um jogo pela carência de graça e sentido. O humor triste e depressivo seria um quadro com cores escuras e densas, ou um time retrancado e perdendo de goleada. Já o humor eufórico é um quadro com as cores mais vivas possíveis, é como se sentir num time de pelés garrinchas e ronaldinhos em grande inspiração. O que define se o humor está sadio é o quanto ele está adequado à situação real. Tristezas, alegrias, ansiedades, ou irritações sem motivo aparente podem configurar um transtorno de humor. Existem situações em que a euforia pode chegar a extremos tão inadequados e prejudiciais quanto à melancolia grave. Entre o humor eutímico (normal) e o extremo da euforia, há graduações, como a hipertimia, que não chega a atrapalhar, e a hipomania (pequena mania), que pode atrapalhar razoavelmente, até a mania, que certamente carrega consequencias e prejuízos maiores em diversos níveis. Entenda-se "mania" como o termo que define o estado de humor eufórico, ligado, acelerado, para cima ou irritável, e não a expressão de uso corriqueiro, como a mania de limpeza ou de checar portas. Dependendo dos modelos e valores morais, o caráter pode inibir a expressão em algumas áreas, como visual e as relações efetivas. Os outros perceberam estas alterações melhor que a própria pessoa, que considera o estado eufórico como normal e positivo, até aprender com o tempo a experiência a identificar estes excessos de humor. Como o humor serve para ajustarmos nosso comportamento de acordo com a situação, a exaltação espontânea do humor é desadaptativa e disfuncional. Como base do humor é temperamento, a estabilidade do humor é fortemente influenciada pela natureza mais ou menos estável dos diversos temperamentos, mas também pela maturidade que adquirimos na formação do nosso caráter. No entanto, quando o temperamento é muito forte ou o humor está elevado, o impulso corrompe o caráter. Se o caráter é bom, depois dos atos impulsivos costuma vir à culpa. Os dois temperamentos instáveis são a busca de novidades (pelo excesso) e a evitação de risco (pela inibição e pela falta). A persistência é um temperamento que favorece a estabilidade a partir de atitudes práticas e de um certo esfriamento da emoção, enquanto a dependência social estabiliza a partir do apego e do investimento em relações sociais e afetivas. Assim, na combinação, um peso maior dos temperamentos instáveis associado a uma carência dos estáveis favorece fortemente o surgimento das alterações maiores do humor. Extraído do livro Temperamento Forte e Bipolaridade de Diogo Lara

2 comentários:

Anônimo disse...

Gostei da parte:"O humor é como a
variedade de cores de um quadro". Só acrescentaria dizendo que é 'uma variedade de cores, mas tudo borrado'. Parabés pelo o texto. Abordou as diferenças de mania de uma forma bem objetiva. Ainda hoje quando digo que tenho mania, as pessoas associam com algum vício etc...

Anônimo disse...

Olá, estou indo para Brasília participar da Marcha, se vc tb estiver por lá poderemos nos conhecer. Até! Ana

Pesquisar este blog