quinta-feira, 23 de julho de 2009

Estigma e Identidade Social

Estigma e Identidade Social

Desde a Grécia Antiga, o termo estigma era marcado por sinais corporais, para demonstrar o mau sobre o status moral, sinais feitos com cortes ou fogo no corpo, denunciando um traidor, criminoso ou escravo. Segundo Goffman (1961): “uma pessoa marcada, ritualmente poluída, que devia ser evitada, especialmente em lugares públicos.”. (p.11)

A origem do estigma é produzida pela sociedade, com o objetivo de promover os padrões da sua identidade social, ou seja, atribuindo a um indivíduo aquilo que deveria ser, seja uma caracterização efetiva, seja como identidade social virtual ou real. Quanto mais descrédito for o seu conceito, mais efeito o estigma garante na imagem depreciativa de alguém, entretanto:

(...) o termo estigma e seus sinônimos ocultam uma dupla perspectiva: assume o estigmatizado que a característica distintiva já é conhecida ou é imediatamente evidente ou então que ela não é nem conhecida pelos presentes e nem imediatamente perceptível por eles? No primeiro caso, está-se lidando com a condição do desacreditado, no segundo com a do desacreditável. Esta é uma diferença importante, mesmo que um indivíduo estigmatizado em particular tenha, provavelmente, experimentado ambas as situações (...) encontram-se as mesmas características sociológicas. (Goffman, 1961 p.15)

Enquanto características sociológicas ou até mesmo antropológicas, a idéia do que é ou não ser normal, são equiparadas ao fato de alguém com um estigma não seja completamente humano. Assim elucida Goffman (1961) os propósitos do normal:

(...) fazemos vários tipos de discriminações, através das quais efetivamente, e muitas vezes sem pensar, reduzimos suas chances de vida. Construímos uma teoria do estigma, uma ideologia para explicar a sua inferioridade e dar conta do perigo que ela representa, racionalizando algumas vezes uma animosidade baseada em outras diferenças, tais como as de classe social. Utilizamos termos específicos de estigma como aleijado, bastardo, retardado em nosso discurso diário como fonte de metáfora e representação, de maneira característica, sem pensar no seu significado original. (p.15)

Nesse sentido, os membros de uma categoria social determinam um padrão de julgamento, no qual não se aplica a eles. Refere-se ao pensar e agir de maneiras diferentes, entre o cumprir uma norma e o fato de apoiá-la, um estilo de conduta contraditório no âmbito da socialização dos indivíduos, não deveriam apenas apoiar uma norma, mas também cumpri-la, pois é um produto que corresponde à forma social, o seu modo de ser social determinando a sua consciência do modo de existir.

É importante ressaltar que o indivíduo estigmatizado em termos de agir e do pensar, tende a ter as mesmas crenças sobre a sua própria identidade:

“(...) seus sentimentos mais profundos sobre o que ele é podem confundir a sua sensação de ser uma “pessoa normal”, um ser humano como qualquer outro, uma criatura, portanto, que merece um destino agradável e uma oportunidade legítima.” (GOFFMAN, 1961 p.16)

Desta forma, diante dos normais, esta imagem estigmatizada será reforçada entre as auto-exigências, a auto – depreciação, fundada no elemento negativo da razão. Todavia, a pessoa estigmatizada pode responder de outra maneira esta situação, corrigindo diretamente o que considera a base objetiva de seu defeito, uma transformação do ego ou de uma maneira indireta, um esforço individual ao domínio de áreas de atividades, absolutamente fechadas a sua referência pessoal. Neste sentido, “a pessoa com um atributo diferencial vergonhoso pode romper com aquilo que é chamado de realidade, e tentar obstinadamente empregar uma interpretação não convencional do caráter de sua identidade social.” (Goffman, 1961 p.20)

Em relação ao intercâmbio social, entre norma e estigmatizado, Goffman (1961) dá uma definição que possibilita identificarmos as causas e efeitos do estigma:

Quando normais e estigmatizados realmente se encontram na presença imediata um dos outros, especialmente quando tentam manter uma conversação, ocorre uma das cenas fundamentais da sociologia porque, em muitos casos, esses momentos serão aqueles em que ambos os lados enfrentarão diretamente as causas e efeitos do estigma. O indivíduo estigmatizado pode descobrir que se sente inseguro em relação à maneira como os normais o identificarão e o receberão. (...) Essa incerteza é ocasionada não só porque o indivíduo não sabe em qual das várias categorias ele será colocado, mas também, quando a colocação é favorável, pelo fato de que, intimamente, os outros possam defini-lo em termos de seu estigma. (...) Assim, surge no estigmatizado a sensação de não saber aquilo que os outros estão “realmente” pensando dele. (p.23)

Assim, a realidade aparente e a essência da realidade, entre estigma e normal, são produtos da cultura instituída na relação da subjetividade do indivíduo, forçando-o a se ajustar nesta ordem externa, que é o meio social.

SILVA, A.P.R.R; PITERSKIH, A.R; BASILE, G.C; CARVALHO, L.B; SANTOS, R.M.A; BONFANTI,T.D. RAHIN, M.A. (orientador) Os paradigmas do processo socio-histórico do sujeito institucionalizado no movimento anti-manicomial do município de Santos/SP, 2008 Estudos Orientados, Curso de Psicologia, Instituto de Ciências Humanas, UNIP - Universdade Paulista. Santos – Rangel, 2008.

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